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Goodluck Jonathan: "Se resolvermos a questão energética, o nosso índice de crescimento duplicará"

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Goodluck Jonathan: "Se resolvermos a questão energética, o nosso índice de crescimento duplicará"

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A Nigéria é um país chave para o futuro de África e tem o potencial de se tornar um motor global de mudanças. Porém, a par do otimismo de um país que está a enriquecer, na Nigéria há outra face da realidade e a pobreza dos pobres é cada vez maior. Nesta edição do Global Conversation, Isabelle Kumar conversou com o presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, sobre os desafios e as expetivas de sucesso de uma nação que celebra este ano o centenário da sua formação.

Biografia

  • Goodluck Ebele Jonathan nasceu em Ogbia, Bayelsa, em novembro de 1957. Presidente da Nigéria desde 5 de maio de 2010, foi governador do estado de Bayelsa, de 9 de dezembro de 2005 a 28 de maio de 2007, tendo assumido o cargo de vice-presidente da República Federal da Nigéria em 29 de maio de 2007
  • A carreira política de Goodluck Jonathan começou com o seu envolvimento com o então nascente Partido Democrático do Povo (PDP), nos finais dos anos ’90
  • Goodluck Jonathan governa um país que, apesar de ser um dos maiores produtores de petróleo e gás natural do continente (só equiparável a Angola), enfrenta vários entraves ao desenvolvimento. Um deles é o deficiente fornecimento de energia. A situação energética continua a ser uma das fraquezas estruturais do país – as principais cidades da Nigéria não têm energia elétrica por vezes durante 24 horas seguidas
  • Com mais de 150 milhões de habitantes e uma grande diversidade étnica e religiosa, a Nigéria enfrenta igualmente grandes desafios sociais, políticos e económicos. A par da pobreza que afeta grande parte da população, o flagelo do desemprego e as ações terroristas de grupos islamistas tornam a governação do país particularmente difícil
  • Na campanha eleitoral para a presidência, Goodluck Jonathan comprometeu-se a aumentar a distribuição de água e electricidade, melhorar a educação, reformar o sistema eleitoral e combater a corrupção


Tal como acontece noutros países do continente africano, na Nigéria os benefícios financeiros da economia não chegam àqueles que mais necessitam. O próprio presidente figura em primeiro lugar entre os 10 políticos mais bem pagos de 2014 segundo a People With Money, com 96 milhões de dólares calculados em rendimentos combinados.

Reconhecendo que a exclusão financeira é um dos principais problemas do país, Goodluck Jonathan disse acreditar “que são precisos cinco anos” para que o crescimento económico do país se traduza diretamente em melhoria das condições de vida das pessoas. “Não afirmo que em cinco anos os nigerianos estejam todos na classe média, mas neste espaço de tempo o número de pessoas envolvida nas atividades comerciais será já grande”, acrescentou o chefe de Estado nigeriano.

Na Nigéria, as deficiências no fornecimento de energia são um dos maiores travões ao cresimento económico. O presidente negeriano conta que este problema esteja ultrapassado num espaço de dezoito meses. “Se resolvermos a questão energética, o nosso índice de crescimento duplicará”, acrescentou Goodluck Jonhatan, explicando que o envolvimento do setor privado dará o grande empurrão, pois “o setor privado quer sempre maximizar os lucros” e “quanto mais aperfeiçoam a rede de distribuição, mais dinheiro faturam”.

O presidente negeriano aponta ainda, entre os obstáculos ao desenvolvimento económico da Nigéria, as limitações “com infra-estruturas, com a mobilidade de pessoas e bens através do continente”. Um problema que afeta também outros países africanos, e que dificulta a própria integração económica de África. Goodluck Jonhatan frisou que a prioridade da governação nigeriana “é criar as infra-estruturas, uma rede ferroviária e muitas vias rodoviárias que atravessem o continente, para que seja possível transportar bens de um país africano para outro, para que estes serviços passem a ser mais fáceis e menos dispendiosos no continente africano”. Apostado em “atrair investidores e o apoio de parceiros para o desenvolvimento, como a União Europeia e outras organizações”, o chefe de Estado nigeriano acredita que “seremos capazes de construir uma vasta rede feroviária através do continente”.

Sobre o flagelo da corrupção, Goodluck Jonhatan admitiu que na Nigéria a corrupção existe, acrescentando que “A corrupção passiva é pior que a corrupção ativa”.
Confrontado com as críticas internacionais à sua recente decisão de suspender o governador do Banco Central, quando este afirmou que milhares de milhões de dólares de rendimentos petrolíferos desapareceram, o presidente nigeriano defendeu que “o governo tomou a decisão certa”, e salientou que o governador do Banco Central foi afastado de funções “em consequência das dúvidas que levantava o Concelho de Investigação Financeira sobre o relatório de verificação de 2012”.

Finalmente, a propósito do movimento de insurreição separatista das milícias islamistas de Boko Haramno, no norte do país, quando se comemora o centenário da unificação da Nigéria, Goodluck Jonhatan declarou estar convencido de conseguir manter a união nacional do país.
Explicando que “a Nigéria é um país com uma grande multiplicidade étnica”, o chefe de estado sublinhou que deve ser evitado que as “zonas de sombra”, provoquem clivagens “em vez de nos ajudarem a cimentar a coexistência”.

Quanto à alegada dureza das ações militares contra as milícias islamistas, Goodluck Jonhatan deixou claro que “se queremos lançar as bases de uma economia local, temos, numa primeira fase, de agir militarmente, para assegurar um nível mínimo de segurança”.

Frisando que, desde que assumiu o governo, em 2007, “a economia da Nigéria cresceu cerca de sete por cento”, Goodluck Jonhatan não quis confirmar a intenção de se candidatar nas próximas presidenciais.