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Grécia: Merkel satisfeita, gregos em protesto

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Grécia: Merkel satisfeita, gregos em protesto

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Angela Merkel realizou esta sexta-feira uma visita relâmpago de cerca de seis horas a Atenas. A segunda em cerca de ano e meio. O objetivo desta feita era, sobretudo, congratular o primeiro-ministro Antonis Samarás pela emissão de dívida grega realizada com sucesso na véspera, a qual a chanceler alemã catalogou como prova do “regresso da confiança.”

Ao mesmo tempo, Merkel procurou enviar aos gregos uma mensagem de esperança, afirmando que que “depois das reformas estruturais lançadas e daquelas que ainda é necessário realizar, a Grécia terá pela frente mais oportunidades do que dificuldades”. Só que nas ruas de Atenas essa esperança não encontrou eco, bem pelo contrário.

Convocados pelo partido de esquerda Syriza – que está em recuperação na preferência dos gregos e surge à frente nas sondagens para as eleições europeias de 24 e 25 de maio -, milhares de pessoas desafiaram a proibição de manifestações imposta para Atenas nesta sexta-feira e manifestaram-se ruidosamente contra Merkel o que a chanceler representa, à luz da grave crise que afeta o país desde 2009. À imagem do que sucedeu a Portugal e à Irlanda, mas de uma forma mais austera, a Grécia foi alvo de dois resgates no valor total de quase 240 mil milhões de euros e sofre com a maior taxa de desemprego da União Europeia: 27,5 por cento (dados de dezembro do Eurostat).

Por causa do carro armadilhado que explodiu quinta-feira no centro de Atenas, mas não só, a alemã andou em Atenas sempre protegida dos protestos populares por fortes medidas de segurança. Mais de sete mil agentes de autoridade estiveram destacados para esta visita de Angela Merkel e o acesso automóvel ao centro de Atenas foi cortado.

Para o correspondente da euronews em Atenas, a visita da chanceler alemã à Grécia teve por intuito preparar as eleições europeias de maio, mas não só. Houve também um aviso: “Angela Merkel visitou Atenas para manifestar apoio ao primeiro-ministro Samarás e ao partido de centro-direita Nova Democracia. Isto quando se aproximam as eleições europeias. Mas Merkel veio também lembrar à coligação no governo de que as reformas em curso na Grécia devem manter o ritmo.”