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Ucrânia: Protestos resistem a ultimato e Iatseniuk tenta solução diplomática

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Ucrânia: Protestos resistem a ultimato e Iatseniuk tenta solução diplomática

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Prossegue a instabilidade no leste da Ucrânia, onde grupos pró-russos mantém-se firmes nos protestos antigovernamentais e continuam a controlar vários edifícios governamentais. Apesar do fim do ultimato de 48 horas para rendição proposto quarta-feira pelo governo, esta sexta-feira os edifícios oficiais das cidades de Donetsk e Luhansk continuavam nas mãos destes grupos pró-Rússia, que insistem numa Ucrânia federalizada sob ameaça de cederem a região à Rússia, à imagem do sucedido na Crimeia.

Acusado de ter feito, inclusive, reféns, um desses grupos pró-Rússia, o autoproclamado “Exército do Sudeste”, nega a acusação de sequestro. “Acusam-nos de sermos terroristas e perigosos. Tentam persuadir as pessoas de que temos aqui reféns. Mas não há reféns neste edifício. Todos os que estão aqui, estão aqui de livre vontade. Não há uma só pessoa aqui contrariada nem nunca houve”, afirmou Alexei Karyakin, o porta-voz do “Exército do Sudeste.”

O braço de ferro entre apoiantes e opositores do novo governo da Ucrânia continua bem vivo nesta região próxima da fronteira com a Rússia. O primeiro-ministro Arseny Iatseniuk deslocou-se, por isso, a Donetsk para tentar encontrar uma solução diplomática junto das figuras mais influentes da região, nomeadamente o multimilionário Rinat Akhmetov, antigo deputado pelo Partido das Regiões, atual homem mais rico da Ucrânia e, entre outros títulos, dono do tetracampeão ucraniano de futebol Shakthar Donetsk.

Até fevereiro passado, muitos destes oligarcas ucranianos estavam nas boas graças do presidente Viktor Ianukovich, entretanto deposto. Agora, com a mudança radical de executivo ucraniano, receiam perder peso no país e, pelo extremar das relações, perder as raízes comerciais históricas com a Rússia.

O chefe de Governo terá mostrado abertura em ceder mais poder local aos governadores regionais e respetivos presidentes de câmara, os quais poderiam deixar de ser nomeados diretamente pelo governo central em Kiev, como agora acontece. A possibilidade de realização referendos regionais também terá sido abordada.

Numa outra demonstração de abertura, com destinatário nos manifestantes pró-russos do leste do país, Iatseniuk terá prometido igualmente que nenhuma ação será tomada por Kiev contra o livre uso do idioma russo na Ucrânia. Desconhecem-se para já as consequências destas propostas nos grupos pró-russos que mantém o controlo de edifícios governamentais em cidades como Donetsk, Kharkiv ou Luhansk.

Ao largo da Crimeia, já começou, entretanto, a retirada dos barcos de guerra ucranianos que ali estavam estacionados e bloqueados pelas forças navais russas. Kiev fez saber, por fim, está a recentrar as defesas militares ucranianas no leste do país, em resposta à forte presença militar russa revelada pela NATO naquela fronteira.