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Abdelaziz Bouteflika, o candidato invisível

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Abdelaziz Bouteflika, o candidato invisível

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O anúncio da recandidatura de Abdelaziz Bouteflika às presidenciais da Argélia provocou a cólera de uma parte da população e muita polémica. Bouteflika, aos 77 anos e muito debilitado fisicamente, depois de um AVC, não é sequer capaz de participar em ações de campanha. São sete personalidades políticas que percorrem o país em seu nome.

Mas os seus apoiantes não parecem preocupados com o facto de ele estar ou não em condições físicas para dirigir o país. O nome Bouteflika parece dar-lhes uma garantia, como referiu uma cidadã: “Ele representa segurança, segurança, segurança… A segurança que nos deu, a paz”.

Bouteflika é para muitos o salvador de um povo ainda traumatizado pelos acontecimentos dos anos 90. Uma herança explorada num videoclip, que está a gerar polémica. Alguns dos artistas que participaram pensavam cantar pela Argélia, mas “Notre serment pour l’Algérie” é o slogan de Bouteflika e aparece no seu sítio da internet.

Na Argélia, como na França ou na Tunísia, onde os argelinos já começaram a votar, as opiniões dividem-se entre o apoio indefetível e a rejeição. Muitos usam a ironia quando falam do presidente.

“Onde é que ele está? Ele existe ou não? Não é seguramente ele que dirige. São generais que gerem a Argélia”, disse um eleitor.

Estas e outras perguntas sobre o estado de saúde do presidente da Argélia são colocadas numa letra satírica que se apoderou de um vídeo de Stromae. O autor preferiu manter-se anónimo.

Apesar da ausência de sondagens, Bouteflika é apontado como o grande favorito para as eleições de quinta-feira.