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A Ucrânia segundo os russófilos

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A Ucrânia segundo os russófilos

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Não são a maioria, nem sequer no leste da Ucrânia, mas depois de terem conseguido a anexação da Crimeia, os russófilos e russófonos sonham agora fazer o mesmo com a região oriental do país.

O Ocidente não é bem-vindo no coração de Donetsk e de outras cidades do leste onde a bandeira russa substituiu a ucraniana nos edifícios públicos ocupados.

“A unidade do país deve ser preservada. Todos defendemos isso. Nunca iremos vender a nossa pátria. Nasci numa Ucrânia soviética. Era a Ucrânia, mas também era soviética. Portanto, porque é que não regressamos à Comunidade de Estados Independentes?” Questiona o presidente de um comité de segurança pró-Moscovo.

“Os verdadeiros patriotas, que querem a reunificação, são pobres, enquanto os ricos querem alinhar-se com a Europa e a América”, acrescenta um cossaco.

O autoproclamado governo de Donetsk quer um referendo local sobre o estatuto da região mas evita, para já, falar de uma integração na Rússia.

“Não vamos esperar pelo referendo nacional, temos de fazer um referendo local, na república de Donetsk. Temos alguns laços específicos com a Rússia, como por exemplo na questão dos direitos humano, mas nada em termos de uma junção à Federação Russa”, afirmou o copresidente da autoproclamada república de Donetsk, Djavad Iskenderov.

Segundo uma sondagem do Instituto de Estudos Sociais e Políticos de Donetsk, apenas 27% da população local quer juntar-se à Rússia. Têm medo do Ocidente, afirma um sociólogo:

“De facto, os ucranianos do leste têm medo da Ucrânia ocidental, dos ‘bandera’ (os ultranacionalistas). Têm medo do poder central porque pensam que Kiev pode punir a região de Donbass pelo seu apoio a Ianukovich e à sua família. Também têm medo dos políticos americanos e europeus”, explica Volodimir Kipen.

Um medo que não será alheio a toda a propaganda dos meios de comunicação social russos.

“No resto da cidade de Donetsk, tal como na maior parte da província, o dia-a-dia prossegue normalmente. As pessoas vão trabalhar, nada está parado. Há algum medo e muita tensão. Mas, de uma forma geral, tudo corre sobre rodas”, afirma o enviado especial da euronews, Sergio Cantone.