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Erdogan rejeita críticas de Gauck aos atropelos à democracia

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Erdogan rejeita críticas de Gauck aos atropelos à democracia

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Um dia depois das declarações do presidente alemão, a propósito da censura das redes sociais e das pressões sobre o aparelho judicial na Turquia, a reação do chefe do governo turco não se fez esperar.

Joachim Gauck, que está em visita de Estado no país, disse na segunda-feira em Ankara que o horroriza aquilo que acontece na Turquia, numa referência à censura da internet e controlo do sistema judiciário, o que bastou para uma crítica severa de Recep Erdogan no parlamento:

“Disse-lhe também que não podemos tolerar interferências os nossos assuntos internos”, disse o chefe de governo turco, acrescentando que “Ele deveria agir de acordo com o que se espera de um estadista. Mas parece-me que ele continua a considerar-se um pastor. Como era um pastor, continua a ter a mesma mentalidade. isto são questões desagradáveis”.

O presidente alemão, que é de facto pastor da Igreja luterana, falava a um grupo de universitários, afirmando que partilha as suas preocupações como cidadão de uma nação democrática e que, depois de viver cinquenta anos num regime comunista, sabe o que é quando o partido no governo decide o que é legal e o que não é. Para evitar atropelos à democracia, lembrou é essencial a separação de poderes.

As críticas do chefe de Estado alemão surgem quando o governo acaba de colocar o poder judiciário sob o seu controle. Gauck disse ainda que o afastamento de funcionários da polícia e procuradores dos seus postos, pelo governo, ameaça a independência do aparelho judiciário.

“Pergunto: se o governo tenta manipular as decisões do tribunal a seu favor ou escapa a decisões contra si, será que podemos falar de independência do poder judiciário?”, frisou.