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Húngria: 10 anos de adesão à União Europeia

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Húngria: 10 anos de adesão à União Europeia

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É desta forma que os húngaros comemoram a adesão à União Europeia, há dez anos. Muitos esperavam que o Canaan chegasse, o que não aconteceu, mas os húngaros ganharam muito com a entrada.

De acordo com especialistas, a economia da Húngria poderia ter crescido mais nos últimos anos, se os húngaros soubessem, desde o início, como usar esta oportunidade, mas acabou por ser um período de aprendizagem para o país

O ministro dos negócios estrangeiros explicou à euronews que estes 10 anos foram controversos mas no geral foram um sucesso. János Martonyi explica que “se compararmos os dados dos últimos 10 anos com os de outros países da Europa Central, não seremos os melhores, mas também percebemos que houve falhas nos primeiros seis anos, durante os governos socialistas, que demoram tempo a corrigir.”

A adesão significou também uma importante mudança para as empresas húngaras. Muitas delas tinham medo da grande concorrência e das regras europeias, mas, ao mesmo tempo acreditavam no alargamento do mercado.
Visitámos uma empresa de água mineral que aproveitou a oportunidade para crescer. Mas também beneficiou do facto das leis comunitárias em matéria de água mineral serem menos restritivas que as húngaras. Levente Balogh, presidente executivo da Szentkirályi Mineral Water, lembra que “começámos por pensar de forma positiva. As fronteiras foram abertas nos dois sentidos, ou seja, nós teríamos as mesmas oportunidades que as empresas estrangeiras tanto para expansão como para a aquisição.”

Também as cidades e vilas tiveram de aprender muito nos últimos 10 anos sobre a forma de usar as vantagens de pertencer à União.
Aqui em Gödöllő milhares de euros vindos de Bruxelas foram gastos em desenvolvimento.
Neste momento está a ser construída uma estação de tratamento de esgotos com fundos europeus; também a renovação do castelo de Gödöllő, que foi palco de grandes eventos durante a presidência húngara em 2011, foi feita com dinheiros comunitários. O presidente da autarquia de Gödöllő recorda que “todos pensavam que uma grande quantidade de verbas iria chegar à Húngria para gastar em tudo, mas não é assim que as coisas funcionam, estamos a aprender como funciona este processo, tivemos e ainda temos de aprender como se consegue e se gasta o dinheiro.”

Muitas pessoas apoiam o Jobbik, partido de extrema direita, votam contra a Europa e criticam os decisores europeus constantemente. De qualquer forma, o eurocepticismo não é um fenómeno húngaro, existe em todos os Estados-membros e tem crescido por causa da crise. Mas os especialistas defendem que a União Europeia deve ouvir as críticas porque há coisas que, de facto, devem ser mudadas. Péter Balázs, antigo membro da Comissão Europeia considera que
“as críticas devem ser ouvidas e deve fazer-se algo para resolver os problemas. Mas com aqueles que negam totalmente o conceito europeu, não há nada que conversar.”

De qualquer forma, de acordo com o último Eurobarómetro, a percentagem de húngaros que tem uma visão positiva da União Europeia, 35%, é superior à média europeia, 31%.

A correspondente da euronews em Budapeste, Andrea Hajagos, explica que “na Húngria a opinião sobre a adesão à União Europeia tornou-se mais negativa durante a crise. Mas os sinais de recuperação começam a aparecer e a imagem da União…parece estar a melhorar.”