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Iraque: analista prevê panorama pós-eleitoral muito difícil

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Iraque: analista prevê panorama pós-eleitoral muito difícil

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É sob fortes medidas de segurança que os iraquianos vão, esta quinta-feira, às urnas. Cerca de 20,5 milhões de eleitores são chamados a escolher, entre os 9012 candidatos, os 328 deputados que os vão representar, nos próximos quatro anos.

O enviado especial da euronews à capital do Iraque, Bagdade, Mohammed Shaikhibrahim, entrevistou o analista político Wathiq Al-Hashimi, a quem começou por perguntar quais os principais desafios destas eleições:

Wathiq Al-Hashimi: Os desafios destas eleições são mais difíceis e mais sérios do que os das eleições de 2005 ou 2010.

O primeiro desafio é o da segurança. O terrorismo tenta atingir o processo democrático no Iraque. Não é apenas um terrorismo local mas sim global, representado por grupos concentrados no Médio Oriente. Por isso, há o receio de que as assembleias eleitorais e as grandes concentrações de pessoas possam ser atingidas – e isso representa um grande desafio para o governo e para o povo iraquianos.

Por outro lado, temos o desafio do conflito político com uma divisão entre três grupos – sunitas, xiitas e curdos – que nunca tinha existido no passado.

A isso soma-se o desafio da abstenção. Os cidadãos participaram em eleições precedentes, estabeleceram as bases da democracia e fizeram muitos sacrifícios para combater o terrorismo – mas os resultados não foram os esperados.

Euronews, Mohammed Shaikhibrahim: Qual será o panorama político do Iraque após as eleições?

Wathiq Al-Hashimi: Para já, penso que os resultados vão ser muito disputados e que nenhum partido alcançará a maioria. Vamos assistir a uma fase complicada de formação de governo, que pode durar mais de um ano. Com Jalal Talabani ausente há mais de dois anos, não temos presidente da república e a constituição não autoriza os vice-presidentes a convocar o Parlamento.

Além disso, vamos voltar a assistir a uma forte pressão externa sobre os três grupos principais – sunitas, xiitas e curdos. Irão, Arábia Saudita, Qatar, Turquia e Estados Unidos têm interesses comuns na estabilização do Iraque.

Posto isto, o panorama político dos próximos tempos será muito difícil.