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Alta tensão na Ucrânia

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Alta tensão na Ucrânia

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Reféns de um conflito que vieram tentar resolver, os observadores da OSCE foram feitos prisioneiros pelos separatistas pró-russos de Sloviansk, acusados de serem espiões da NATO. A organização ficou em choque, tal como os jornalistas estrangeiros. Reportagem da RTS.:
Oito homens, oito prisioneiros exibidos aos Media pelos separatistas, como um tesouro de guerra.
O coronel alemão Axel Schneider é o porta-voz, contente por encontrar jornalistas e por saber que o mundo se preocupa com eles.
Jornalista: “Como estão a ser tratados? Falaram-nos de condições desumanas de detenção.”
“O primeiro local de detenção não era bom, para nós e para os guardas que tentaram melhorar as condições. Era miserável, tentámos acomodar-nos e os guardas foram corretos”.
“Para nós, jornalistas, é muito estranho estar aqui nesta sala. Nós somos livres e vocês não. O que pensa disto?”
“Para nós a situação também é bizarra. Poder vê-los, irem para onde quiserem e nós não podermos. Mas a situação, no geral, está a ser discutida e já sabem o que pensam as pessoas nesta mesa.”
As pessoas à mesa são o autoproclamado edil de Sloviansk, o sequestrador que é intratável, e os seguranças.
Jornalista: “No domingo passado, senhor Ponomarev, estivemos nesta sala, com os observadores da OSCE, compreendeu a missão deles, então porque é impossível libertá-los, é a mesma organização?”
Ponomarev: “Quando as pessoas da OSCE me visitam, sou avisado, o que não aconteceu com a vinda destes oficiais. Vocês, jornalistas, fiquem nesta sala!”
“Porque não os liberta?”
“A decisão sobre estes senhores vai ser tomada mais tarde, não posso anunciar agora. A decisão será tomada colegialmente”.
“A imprensa é convidada a sair. Os reféns continuarão presos, ainda não sei por quanto tempo.”
“Estamos tensos mas temos o presidente da câmara do nosso lado, queremos regressar a casa”, afirma o porta-voz à laia de despedida.
Ponomarev: “Por favor, não esgotem a minha paciência, compreendem o que digo?”
Ficam sentados, abatidos enquanto o carrasco se prepara para receber uma delegação para negociar a sua libertação.

A France 2 fez a reportagem com os separatistas e o líde, em Sloviansk, onde o antigo presidente da Câmara desapareceu. Os separatistas anunciarem a morte do acordo de Genebra.
Para chegar à entrada da Câmara, é preciso, primeiro, passar os guarda costas, armados e pouco cooperantes.
“Párem com isso”, avisa um miliciano fortemente armado.
Viatcheslav Ponomarev, o autoproclamado presidente da Câmara de Sloviansk irrita-se com facilidade, quando as perguntas não lhe agradam.
Jornalista: “Quando vai libertar os sete reféns da OSCE?”
“Não quero ouvir nem mais uma vez oa palavra refém, são meus convidados, percebem? Traduzam!”
E ameaça:
“Agora coloquem as boas questões, senão vão ter problemas.”
Enigmático, este Ponomarev. No dia 18 de abril, demitiu o dirigente da autarquia eleito, Nelia Shtepa, e nunca mais se ouviu falar nele.
Apresenta-se como um antigo soldado do exército soviético, oficialmente convertido à indústria do sabão. Acusa os Media de mentirem mas aparece nas conferências de imprensa com os guardas armados. Shows mediáticos em que passa o tempo a criticar o governo de Kiev.
“Vamos ganhar de um modo ou de outro, sou eu que vos digo. Vamos destruir essa junta de nazis”.
Ponomarev pretende ter 2000 homens ao serviço, prontos a perseguir todos os que consideram traidores e prendê-los arbitrariamente.
“Estão às ordens de Moscovo?” A pergunta enfurece:
“Não tenho nenhum contacto com Moscovo e já o disse várias vezes. Párem de me perguntar o mesmo. Não precisamos de Moscovo, podemos desenvencilhar-nos sozinhos.”
“Os habitantes de Sloviansk, na maioria, nunca ouviram falar deste novo presidente da Câmara, o que não impede, paradoxalmente, de confiarem nele.”

A televisão russa é a mais pragmática. Na região, as manifestações a favor da Rússia multiplicaram-se no 1° de maio. A população parece aderir ao separatismo, apesar da desconfian4a dos correspondentes ocidentais.
“A alfândega e o centro de impostos estão bloqueados por representantes das unidades de autodefesa. A informação circulou: os combatentes da direita querem guardar as armas armazenadas no edifício. Assim, bloqueiam o acesso ao arsenal.”
Miliciano com cara tapada: “Quando os agentes do Setor Direita (forças ucranianas) investiu sobre a sede da polícia, sem ninguém os parar, as armas foram entregues sem luta e levadas. Agora a polícia não os pode desarmar, não tem força. Nós somos os únicos que podem travar o Setor Direita, nós, gentes do sudeste. “
Jornalista da RTR: “As milícias de Gorlovka tomaram o controlo de todos os edifícios administrativos da cidade. Mas as instituições continuaram a funcionar normalmente. Guardas armados entraram logo de manhã no interior, onde muitos empregados reconheceram vizinhos e conhecidos”.
Segurança de cara tapada: “Para manter uma certa segurança no trabalho e um ambiente normal nos escritórios da cidade, para os empregados não sofrerem pressões de nenhuma das partes, guardamos a neutralidade absoluta na esfera política. Não representamos nenhum partido político.”
Jornalista da RTR: “Os responsáveis e os deputados sugeriram às unidades de autodefesa que se instalassem no rés-do-chão do prédio. Os empregados estão a transferir todos os dossiês em papel e ficheiros informáticos para os andares superiores.”
Oleg Gubanov: “Estamos todos no trabalho, sem pânico nem ansiedade”.
Jornalista da RTR: “No Leste da Ucrânia é o impasse. Em Nikolaev, uma viatura de um apoiante do presidente foi alvo de ataque. Não estava ninguém no interior. As ameaças telefónicas são permanentes”.
Dmitry Nikonov, governador de Nikolaev:
“A minha mulher tem muito medo. teme pelos nossos filhos. Os nossos grupos não podem lutar contra esses homens. A maior parte do tempo têm as mulheres e filhos consigo, mas não os podem proteger todo o tempo”.
Jornalista da RTR: “Em resumo, todos os que pensam de outro modo estão ameaçados, desde os mineiros aos deputados da Rada. O candidato às presidenciais Oleg Tsarev foi agredido em Kiev e em Nikolaev. Não tinha guarda costas. Proibiram-no de entrar em debates televisivos, renunciou a ser presidente e ficar com a população. Todos os acontecimentos políticos fragilizam a economia, à beira do abismo. “
Nos últimos dois meses, a produção de máquinas, na região de Donetsk, caiu para metade, assim como os volumes de produção. O carvão é difícil de vender, a procura está em baixa. Mesmo as minas, muito rentáveis, deixaram de funcionar.
Esta mina rendia três milhões de dólares por dia. Atualmente, todas as minas ilegais estão fechadas. Uma das medidas que Kiev ainda conseguiu tomar foi nomear um governador para fechar todas estas minas “Kopanka”… o que foi considerado privar o povo da principal fonte de rendimentos como nova marca da oligarquia.
Andrey Purgin: “Claro que as minas ilegais não são boa coisa, mas é impossível fechá-las completamente durante uma crise humanitária como esta e tirar de lá as pessoas.”
Jornalista RTR: “Um dos pedidos dos que desejam a federalização é o direito a distribuir entre eles o que ganham nas minas. Nesse caso, talvez seja possível legalizar as minas kopanka com um orçamento local. Mas para isso as pessoas têm de decidir que estatuto querem. A Comissão Eleitoral já apresentou o projeto para o referendo. A única questão apresentada é: Apoia a independência da República de Donesk?”