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Gerry Adams: enigma da Irlanda do Norte

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Gerry Adams: enigma da Irlanda do Norte

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O líder nacionalista irlandês Gerry Adams é uma das mais importantes figuras do processo de paz na Irlanda do Norte. Tem carisma natural e uma forte personalidade que provoca ainda o rancor dos unionistas e a admiração dos partidários republicanos.

Influente, o presidente do Sinn Fein, braço político do IRA – Exército Republicano Irlandês, é uma personagem incontornável na história recente da Irlanda do Norte.

Nasceu em Belfast, em 1948, no seio de uma família já simpatizante do IRA. Muito jovem já era ativista dos direitos civis na Irlanda do Norte. terá aderido ao IRA em 1969 e, em 1971, chegou a Chefe do Batalhão do IRA ( provisório ), Adams nega.

Em 1972, quando ocorreram centenas de mortes por violência sectária e a província, de facto, estava em estado de guerra civil, o exército britânico tinha um destacamento importante na Irlanda do Norte e gerry Adams foi detido, uma primeira vez, sem direito a processo, num campo em Long Kesh. O internamento em campos de detenção era prática corrente contra todos os militantes do IRA.

Na década de 80, como vice-presidente do Sinn Fein ( “ nós” em gaélico) impulsionou a nova estratégia “armas e urnas”, que combinou a luta armada com a luta política. Conseguiu ser eleito duas vezes em Westminster, mas não chegou a ater assento por se recusar a jurar fidelidade à coroa britânica . Mas ganhou um certo estatuto político….

A chegada ao poder de Tony Blair, em 1997, mudou tudo. Cada vez mais inclinado a moderação, Adams aproveitou a oportunidade: conheceu o novo primeiro-ministro e esteve com ele várias vezes, primeiro sem câmaras, e, depois, no n° 10 da Downing Street, uma estreia, desde a assinatura do Tratado da divisão da Irlanda, em 1921.

A aposta para um fim negociado do conflito, com a renúncia à violência e aceitação do caminho democrático, materializou-se através das conversações multipartidárias de Belfast, e, finalmente, com o acordo de paz de sexta-feira de 10 de abril, de 1998, em
Stormont .

Adams também contribuiu decisivamente para o desarmamento do IRA e para o Sinn Fein aceitar a polícia e a justiça norte-irlandesa.
Muitos unionistas ainda o consideram um terrorista disfarçado de político. E mesmo para quem ele é um dos arquitetos da paz ele continua a ser um líder enigmático.