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Contestação no Brasil: Platini pede interrupção

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Contestação no Brasil: Platini pede interrupção

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Uma é a imagem que o Brasil quer transmitir antes do Mundial de Futebol: meninos sorridentes e bem equipados, a celebrarem com sorrisos a inauguração do C de São Paulo, que os operários tentam terminar o mais depressa possível; e outra é a imagem que o mundo tem do Brasil: manifestações, pobreza, violência.
Há um clima de alta tensão entre a população desesperada por causa do custo de vida e os custos do Mundial, e a polícia que tenta conter os ânimos num só mês (cinco semanas), antes de chegarem mais turistas, adeptos, equipas e comitivas.
Milhares de agentes foram convocados mas a repressão causa um ciclo vicioso de mais protestos, mais confrontos mais destruição. Neste momento, só 52% dos brasileiros estão contentes por acolher um dos eventos mais esperados dos últimos anos; eram 79% no início do ano. O presidente da UEFA, Michel Platini, pensa que os manifestantes devem fazer um intervalo, como se a fome fosse um jogo de futebol:
“É preciso convencer os brasileiros que têm o Mundial de Futebol e estão lá para mostrar as belezas do país, a paixão pelo futebol e devem esperar um mês antes de exigirem resoluções sociais, será bom para o Brasil e para o planeta futebol”.
Mas os protestos não começaram ontem…há um ano que os espíritos se exaltam com a diminuição da qualidade de vida. O anúncio do custo da organização do Mundial de Futebol incendiou os ânimos: 11 mil milhões de euros num país onde o salário médio é de 639 euros e o mínimo 236.
Para satisfazer as necessidades de uma família são precisos 1000 euros. Os preços sobem em flecha. A inflação disparou 3,6 por cento em 2007 e 6,5% em 2013.
Um Iphone no Brasil (país que o produz) custa 893 euros, muito mais do que nos Estados Unidos ou na China.
Os automóveis e os eletrodomésticos custam o dobro do preço que têm nos países industrializados.
Os produtos essenciais, como o arroz, legumes, frangos, estão cada vez mais caros, mas as rendas de casa aumentaram 118%.
O Brasil é um país de paradoxos: sétima potência mundial, onde 6% da população vive em favelas, sem infraestuturas básicas, onde os traficantes são reis e a polícia entra em grupos fortemente armados a construção de estádios e hoteis não é de todo do interesse da população que exige cuidados de saúde, educação e transportes.