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Ghery vence Siza Vieira na corrida ao Príncipe das Astúrias nas Artes


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Ghery vence Siza Vieira na corrida ao Príncipe das Astúrias nas Artes

O arquiteto Frank Ghery, de 85 anos, foi o distinguido este ano para receber o prestigiado prémio Príncipe das Astúrias nas Artes. O norte-americano, nascido no Canadá, era um dos cinco arquitetos candidatos ao galardão espanhol este ano e acabou por ser o eleito.

O anúncio foi realizado esta quarta-feira, a partir do Hotel da Reconquista, em Oviedo, pelo presidente do júri, o empresário e antigo ministro espanhol José Lladó. A concurso estavam 36 candidaturas, oriundas de 19 países, incluindo Portugal através do também arquiteto Álvaro Siza Vieira, conhecido responsável, entre várias obras, da reconstrução do Chiado, em Lisboa, e do Centro Galego de Arte Contemporânea, em Santiago de Compostela.

Tal como em 2012 e pela sexta ocasião em 34 edições dos prémios Príncipe das Astúrias, o vencedor foi um arquiteto. Frank Ghery sucede na distinção aos homólogos Óscar Niemeyer (Brasil, 1989), Francisco Javier Saenz (Espanha, 1993), Santiago Calatrava (Espanha, 1999), Norman Foster (Reino Unido, 2009) e Rafael Moneo (Espanha, 2012). O norte-americano já havia sido candidato a este prémio noutras edições, nomeadamente na do ano passado, na qual foi suplantado na escolha pelo cineasta austríaco Michael Haneke.

Frank Ghery nasceu a 28 de fevereiro de 1929, em Toronto, no Canadá. Reside desde adolescente em Los Angeles, nos Estados Unidos, para onde se mudou com os pais em 1947. Formou-se em arquitetura em 1954, na Universidade do Sul da Califórnia e começou a exerceu no ateliê de Victor Gruen.

Especializou-se em Urbanismo, em Harvard, em em 1961, mudou-se para Paris com a mulher e as duas filhas. Trabalhou com André Remondet e, em 1962 voltaria a Los Angeles para estabelecer o próprio ateliê, Frank O. Ghery and Associates. Daí partiu à conquista do mundo através da arquitetura.

Em 1989, foi distinguido com o mais prestigiado prémio da arquitetura mundial, o Pritzker, e a esse título viria a juntar muitos outros, sendo o mais recente o anunciado esta quarta-feira em Oviedo.

Entre as obras incontornáveis de Frank Ghery destacam-se, claro, o Museu Guggenheim, de Bilbau, em Espanha; o Walt Disney Concert Hall, em Los Angeles, Estados Unidos; e a Casa Dançante, em Praga, na República Checa.

Portugal também está ligado ao arquiteto norte-americano. Em 2003, foi convidado por Santana Lopes, à altura presidente da Câmara de Lisboa, para elaborar a reabilitação urbana da zona do Parque Mayer – projeto que viria a ser descartado anos depois pelo executivo de António Costa.

O arquiteto americano assinou ainda, em 2012, para a uma coleção de tapeçarias empresa Ferreira de Sá. Os tapetes Frank Ghery foram avaliadas em cerca de 650 euros o metro quadrado e estiveram em exibição em Nova Iorque.

Mais recentemente, o norte-americano assumiu o projeto de um ambicioso hotel de cinco estrelas na Guarda, a convite da empresa hoteleira Cegonha Negra.

Para o júri da Fundação Príncipe das Astúrias, a escolha de Ghery para o prémio justifica-se pela “relevância da obra” do norte-americano “em numerosos países, dando um significativo impulso à arquitetura no último meio século”: “Os seus edifícios caracterizam-se por um jogo de formas complexas, pelo uso de materiais pouco comuns como o titânio e pela inovação tecnológica que teve repercussão também noutras artes”, explicou o presidente do júri, o antigo ministro espanhol José Lladó.

Ghery foi distinguido depois de ter sido incluído numa lista de três finalistas, ao lado do compositor espanhol Cristóbal Halffter, igualmente de 85 anos, e do artista de vídeo também norte-americano Bill Viola, de 63. De fora da decisão final ficaram, para além de Siza Vieira, outros artistas famosos como o pianista chinês Lang Lang, o compositor estónio Arvo Pärt ou a cineasta belga Agnès Varda.

O prémio das Artes é o primeiro a ser conhecido de entre as sete categorias destacadas desde 1980 pela Fundação Príncipe das Astúrias. Seguem-se os das Ciências Sociais (13 e 14 de maio), Comunicação e Humanidades (20 e 21 de maio), Investigação Científica e Técnica (27 e 28 de maio), Literatura (3 e 4 de junho), Cooperação Internacional (11 e 12 de junho) e Desporto (17 e 18 de junho).

Cada vencedor irá receber uma escultura de Joan Miró, 50 mil euros, um diploma e uma insígnia. A entrega dos prémios realiza-se em outubro, no Teatro Campoamor, de Oviedo, numa cerimónia presidida pelo próprio Filipe de Bourbón, o principe herdeiro da coroa espanhola e responsável pela fundação a que deu nome.

Portugal apresenta habitualmente candidaturas aos prémios Príncipe das Astúrias e já arrecadou alguns. A Universidade de Coimbra e o ex-presidente da República Mário Soares, por exemplo, receberam o prémio na categoria de Cooperação Internacional, respetivamente, em 1986 e 1995.

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