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Putin esperado agora na Crimeia e a 6 de junho na Normandia

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Putin esperado agora na Crimeia e a 6 de junho na Normandia

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A celebração dos 69 anos do fim da I Guerra Mundial e da consequente libertação dos países do bloco soviético da ocupação nazi está rodeada de grande expetativa pela eventual presença de Vladmir Putin na Crimeia. A confirmar-se, será a primeira vez que o Presidente russo se desloca àquela região autónoma desde que ali foi votado a 16 de março um alegado referendo popular que aprovou a separação administrativa da Ucrânia e a anexação à Rússia, ratificada dias depois pelo próprio Putin apesar do não reconhecimento internacional de tal decisão.

A viagem de Vladimir Putin à Crimeia foi noticiada esta quinta-feira por alguma imprensa russa, a qual acrescenta que o Presidente será acompanhado pelo primeiro-ministro Dmitri Medvedev. A deslocação de ambos os governantes não foi confirmada de forma oficial, mas também não foi desmentida. O programa avançado para esta primeira visita de Putin à Crimeia depois de ter ratificado a anexação da península à Rússia tem como primeira escala anunciada a cidade costeira de Sebastopol, onde está localizada uma das bases navais russas no Mar Negro, seguindo-se a capital daquela região autónoma, Simferopol.

A celebração da libertação dos nazis no fim da II Guera Mundial tem como curiosidade o facto de colocar do mesmo lado a Rússia e a Ucrânia, assim como todos os países integrantes da antiga União Soviética. Em todos haverá comemorações oficiais esta sexta-feira. Na Rússia, por exemplo, as festividades começaram de véspera, com Putin a presidir em Moscovo, esta quinta-feira, à habitual parada militar e a depositar flores nos memoriais aos que deram a vida na luta contra o nazismo.

Em França, esta quinta-feira foi feriado pelo fim da II Guerra Mundial. François Hollande prestou homenagem ao general Charles de Gaule, que liderou a revolta gaulesa contra os nazis e depois, em 1958, fundou a Quinta República Francesa. O atual Presidente francês também depositou flores no túmulo ao soldado desconhecido, no Arco do Triunfo, em Paris.

À margem das comemorações e apesar das admitidas divergências, por causa sobretudo da Ucrânia, Hollande confirmou ter endereçado a Vladimir Putin um convite para o Presidente russo estar presente na celebração dos 70 anos do desembarque das forças aliadas na Normandia: “O povo russo deu milhões de vidas pela nossa liberdade durante a Segunda Guerra Mundial. Se não tivesse havido uma frente no Leste, não teria havido o desembarque que vamos celebrar a 6 de junho. Foi por isso que disse a Vladimir Putin que, como representante do povo russo, será bem vindo nestas cerimónias.”

A celebração dos 70 anos do chamado “Dia D” vai decorrer na Normandia e tem confirmadas as presenças do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e da Chanceler alemã, Angela Merkel. Também a Rainha Isabel II de Inglaterra é esperada. Putin também já revelou vontade de estar presente, através de Alexander Orlov, o embaixador russo em Paris.

Questionado sobre a possibilidade de Putin aproveitar a presença na Normandia para se reunir com os líderes ocidentais, com os quais vem há meses a protagonizar um braço de ferro por causa do novo governo sediado em Kiev, Orlov acrescentou à televisão francesa BFM que “há alguns encontros que podem ser previstos”. É mais um sinal positivo de aproximação de Putin ao ocidente depois do recuo nas palavras sobre a Ucrânia manifestado quarta-feira.

A Chanceler alemã já elegiou a anunciada presença do líder russo na Normandia. “Estou agradada pelas notícias de que o Presidente Putin vai estar no encontro na Normandia. Eu esperava que, apesar das divergências de opinião que temos e de todo este grande conflito, pudesse ser possível uma comemoração dos tempos difíceis da II Guerra Mundial. São boas notícias”, reforçou Angela Merkel. A Casa Branca, através do porta-voz Josh Earnest, disse ser uma “admirável surpresa” a ida de Putin à Normandia.

Setenta anos depois, mas desta vez por causa da Ucrânia e com a Alemanha entre os aliados, a Normandia pode voltar a fazer história.