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Partido eurocético de Nigel Farage: o choque de uma possível vitória nas europeias

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Partido eurocético de Nigel Farage: o choque de uma possível vitória nas europeias

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Com as sondagens a sugerir a possível vitória do Partido para a Independência do Reino Unido (UKIP) de Nigel Farage, nas Eleições Europeias de 22 de maio, colocam-se novos desafios à União Europeia.

Em Portsmouth, onde inaugurou a campanha eleitoral, Farage teve receção calorosa e fez questão de deixar uma mensagem anti-UE:
“Junte-se ao exército do povo. Aproveitemos o dia 22 de maio para infligir ao sistema político deste país o maior choque que já tiveram nos últimos cem anos. A nossa mensagem é esta: queremos que a Europa nos devolva o nosso dinheiro, as nossas fronteiras e o nosso país”.

Aos cidadãos dececionados e alienados da política, o discurso de Farage parece oferecer segurança e um dos seus habitantes fez questão de o abordar para elogiar o líder do UKIP:
“Você é o mais indicado para governar este país. Os outros não dizem nada, continuam sentados em cima dos traseiros”.

Ao que Farage respondeu: “Bem, eles entregaram o nosso país, não foi?”.

O Partido para a Independência do Reino Unido critica a liberdade de circulação entre os 28 e defende a saída da União Europeia, para poder impôr limites à imigração.

Segundo dados de fevereiro, o número de cidadãos da União Europeia que entrou no Reino Unido no espaço de um ano, até setembro de 2013, foi de cerca de 212 mil, um aumento significativo em comparação com os 154 mil do ano anterior.

Nas ruas de Portsmouth, ouviam-se ecos desta questão.
“Somos já o país com a mais alta densidade populacional da Europa e poucas pessoas o sabem. Entraram demasiadas pessoas, não conseguimos absorvê-las todas tão rapidamente”, disse um dos apoiantes de Farage, enquanto outro sublinhava que “Não sou contra a imigração, mas quero que venham os mais capazes de fazer o trabalho”.

O UKIP transformou-se progressivamente num fator de pressão e conquistou o apoio de grupos sociais marginalizados. O partido anti-Bruxelas aproveitou a sensação de que a política se faz por cima das cabeças dos cidadãos, aumentando assim o sentimento de insegurança.

Os cientistas políticos alertam para a necessidade de recuperar estes grupos revoltados que hoje apoiam os extremistas. Matthew Goodwin, co-autor do livro “Revolt on the Right”,

“Isto é revelador de como uma sociedade com uma longa história multicultural, lida com uma direita extremista radical. Não fazemos mais que isto? Apenas gritamos ‘racista’ e deixamos andar? Porque razão estão estes grupos marginalizados tão desiludidos e revoltados com a direção que tomou a sociedade? Como podemos religá-los à sociedade?”

Entre os analistas políticos, há quem aponte para um alinhamento claro com o Kremlin de Nigel Farage e dos restantes extremistas europeus, como o Frente Nacional francês, o Jobbik húngaro, o Aurora Dourada grego, o Partido para a Liberdade neerlandês, a Liga Norte italiana e o Vlaams Belang belga. Aliados úteis de Vladimir Putin, numa estratégia de desconstrução da União Europeia.

É o caso de Mitchell A. Orenstein, professor na Northeastern University em Boston (EUA) e especialista na Europa Central e de Leste, que na edição de março da revista Foreign Affairs denunciou a utilização dos partidos europeus de extrema-direita por parte do Kremlin.

Em declarações em abril à Der Spiegel, Peter Kreko, do ‘think tank’ húngaro Political Capital, dizia que “A Rússia gostaria de desestabilizar a cena política europeia, e estes partidos são todos anti-União Europeia. Eles querem deitar foga à casa”.