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Poeiras do deserto afetam produção de energia solar

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Poeiras do deserto afetam produção de energia solar

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As poeiras provenientes do norte de África Sara estão a contribuir para os elevados níveis de poluição em toda a Europa. Idosos, crianças e pessoas com problemas cardíacos e pulmonares são os grupos mais vulneráveis.

Além da saúde, as poeiras afetam a produção de energia solar.

Para minimizar o impacto do fenómeno, um grupo de investigadores europeus está a desenvolver um projeto para fornecer previsões meteorológicas às empresas que produzem energia a partir de painéis fotovoltaicos.

Em breve vai ser possível conhecer com cinco dias de antecedência o impacto da poeira na radiação solar.

A previsão pode ajudar as empresas, a reorganizar as operações nas centrais e servir de critério à localização das estações de produção de energia solar.

Em Toulon, o grupo CNIM trabalha na área da produção e da gestão energética.

“Podemos ver nos espelhos as poeiras e os aerossóis do deserto. Eles são nefastos para as nossas instalações porque diminuem a energia solar que entra e têm um impacto no nosso sistema.
Se soubéssemos com alguns dias de antecedência da chegada de uma tempestade, poderíamos armanezar o excedente de energia, para poder garantir a produção nos dias de tempestade quando não há energia suficiente para o funcionamento das instalações.
Atualmente, esses stocks funcionam com água pressurizada, são como recipientes de grande dimensão que armazenam a água a alta pressão e a alta temperatura. Quando precisamos de usar essa energia vamos usar o vapor que se encontra nesses balões para alimentar o sistema de produção de eletricidade”, explicou Florent Cassar, responsável pelo departamento de energia solar.

Na Universidade de Sophia Antipolis , perto de Nice, em França, os investigadores medem a quantidade de radiação solar que chega ao solo.

A equipa trabalha para a Transvalor, uma empresa especializada em investigação na área da energia solar.

Os cientistas seguem o movimento das partículas de poeira através de satélites e recorrem a modelos matemáticos e algoritmos para produzir previsões fiáveis.

Hoje em dia os modelos da meteorologia progrediram bastante e permitem ver as areias do deserto que são transportadas pelos vento a alta altitude até à Europa, como vemos aqui. São modelos numéricos que são tratados por um grande computador e que nos permitem conhecer a transparência da atmosfera. Quanto mais areia, menos transparência. Podemos prever o que se vai passar com a areia e como é que ela se vai deslocar num período de três, quatro ou cinco dias”, explicou Etienne Wey, gestor do projeto.