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Bob Wilson torna o teatro num palco de guerra

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Bob Wilson torna o teatro num palco de guerra

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À primeira vista, quando vemos um excerto, a ligação não é direta. Mas também é precisamente a construção e o experimentalismo que ajudam a definir aquele que é um dos nomes maiores do teatro. O encenador americano Bob Wilson pegou no tema da Primeira Guerra Mundial e apresentou no Teatro Nacional de Praga uma peça intitulada “1914”. No entanto, o ano podia muito bem ser outro. “1914 ou 2014 – basta ler o jornal hoje em dia, ver a primeira página, os títulos, assistir ao que passa na televisão… Se calhar, em 3014 vamos estar a olhar para a mesma estória”, prevê Wilson.

A inspiração veio da obra seminal checa “O Bom Soldado Švejk”, de Jaroslav Hašek, publicada na ressaca do conflito, em 1921, e ainda da tragédia satírica “Os Últimos Dias da Humanidade”, de Karl Kraus. Bob Wilson trabalhou o humor corrosivo de ambos e trouxe-lhe uma roupagem rítmica. Os sons e as cadências de “1914” reforçam o absurdo no retrato de uma guerra. O encenador explica-se: “tudo para mim é música. Se alguém me estiver a falar… Até pode não estar a falar, pode estar só a ouvir. Faz tudo parte de uma paisagem sonora, tudo tem uma musicalidade.”

A estreia de “1914” em Praga inicia uma série de projetos de seu nome “Zonas de Conflito”. A iniciativa é da União de Teatros da Europa, fundada há três décadas por Giorgio Strehler. Atualmente, este organismo é encabeçado por Ilan Ronen, diretor do Habima, o Teatro Nacional de Israel. “Qualquer zona de conflito é perigosa. Nós, como artistas, podemos criar pontes para ajudar a prevenir a próxima explosão. Pode acontecer a qualquer momento”, afirma Ronen.

O teatro, como palco de guerra, vai ocupar as cidades de Viena, Atenas, Roma, Sófia, Cluj Napoca, na Roménia, entre outras.

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