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Ser mineiro em Soma

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Ser mineiro em Soma

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A cidade turca de Soma está de luto. Aqui todos conhecem o trabalho de extracção de lenhite (carvão fóssil), única fonte de rendimento desta região pobre da Anatólia ocidental. A cidade conta quase cem mil habitantes, milhares dos quais são mineiros. Ao contrário de outros lugares onde a lenhite é recolhida em terrenos a céu aberto, aqui tem de ser procurada debaixo de terra.

Na sede da associação de mineiros de Soma, o ambiente é pesado. Estes homens perderam os seus companheiros de trabalho.
O fundador da associação, Saban Ufuk, um antigo mineiro, fala da dureza do quotidiano em Soma:

“É uma tragédia. Os mineiros trabalham em condições muito difíceis. Em condições realmente muito difíceis. Havia de os ver, à noite, quando saem da mina. As condições no subsolo são as mesmas de sempre. Cada um dos mineiros parte com duas ou três camadas de roupa. Quando se espreme aquela roupa, escorre dela carvão. Esta gente não ganha aquilo que merece. Normalmente, ganham cerca de quatrocentos euros. Com isto, têm de pagar cerca de cem euros de renda e, se têm filhos em idade escolar é-lhes impossível viver decentemente.”

Saban pensa apenas numa coisa – reconfortar as viúvas e os orfãos dos homens que perderam a vida. A solidariedade entre os mineiro é uma tradição na Turquia, como em todo o mundo:

“Elas não ficarão sós sem família – nós somos os seus irmãos mais velhos, os seus pais. Cuidaremos de as visitar, os nossos familiares estarão por perto. Apoiá-las-emos com o que for preciso”, assegura. E acrescenta que por certo “Ser-lhes-á atribuido pelo Estado um salário. Penso que cada família daqueles que aqui perderam a vida receberá uma indemnização de cerca de 33 mil euros e normalmente as empresas mineiras oferecem-lhe um apartamento”.

Em sinal de luto, estes homens tazem ao peito as fotografias dos seus colegas falecidos no acidente.