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Turquia acredita ter resgatado os últimos corpos da mina de Soma

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Turquia acredita ter resgatado os últimos corpos da mina de Soma

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As autoridades turcas acreditam ter retirado os últimos dois corpos do acidente na mina de Soma, o que coloca o balanço da tragédia nos 301 mortos.

Na mina de carvão, as equipas de socorro encerram as operações de resgate de um acidente que voltou a colocar o governo de Recep Tayyip Erdogan na mira da revolta popular, desta vez por causa das condições de trabalho.

“Não é nem um acidente, nem o destino. É um massacre. É crime. Turquia, não te deixes adormecer. Acorda”, podia ler-se num cartaz em Savastepe, numa das muitas vigílias na sexta-feira.

Um dos 483 mineiros que escaparam com vida, crítica a inação dos responsáveis quando o acidente ocorreu: “ninguém nos informou de nada até o fumo ter chegado onde estávamos. Se a companhia nos tivesse deixado sair mais cedo, teríamos todos sobrevivido”, lamenta.

Com a tensão social que a Turquia tem vivido no último ano, não é de estranhar que alguns protestos tenham terminado em confrontos com polícia.

As vigílias da última noite em Istambul e um pouco por toda a Turquia, serviram também para denunciar a negligência do governo e da empresa privada que opera a mina, acusada de privilegiar o lucro em detrimento da segurança.

Há dois anos, o presidente da companhia mineira, Alp Gürkan, uma figura próxima do poder, orgulhava-se de ter reduzido os custos de produção na mina de 130 para 24 dólares por tonelada.

Segundo um estudo do Colégio de Arquitetos e Engenheiros (TMMOB) da Turquia, realizado entre 2000 e 2008, a taxa de mortalidade nas minas privadas turcas é seis vezes superior à das minas públicas.

Na Turquia, por cada milhão de toneladas de carvão extraídas morrem 6,5 mineiros, um valor seis vezes superior ao registado na China e 200 vezes maior do que nos Estados Unidos. Uma taxa de mortalidade apenas comparável à verificada na América do Norte e em Inglaterra no início do século passado.