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Turquia: Lágrimas e revolta pela tragédia na mina de Soma

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Turquia: Lágrimas e revolta pela tragédia na mina de Soma

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Na Turquia, enterram-se os 301 mortos do acidente na mina de carvão de Soma e cresce a revolta da população contra o governo, desta vez por causa da falta de condições de segurança no trabalho.

A empresa privada que explora a mina é acusada de privilegiar o lucro em detrimento da segurança.

Há dois anos, o presidente da companhia mineira, Alp Gürkan, uma figura próxima do poder, orgulhava-se de ter reduzido os custos de produção na mina de 130 para 24 dólares por tonelada.

Depois de terem resgatado, este sábado, os corpos de mais dois mineiros, as autoridades deram por encerradas as operações de busca e resgate.

Para tentar acalmar os ânimos, o ministro da Energia da Turquia declarou que “irá ser lançada uma investigação técnica, administrativa e judicial ao acidente, que será levada a cabo independentemente de poder atingir o setor privado ou o público”, garantiu Taner Yildiz.

Dezenas de sindicalistas e advogados foram, este sábado, detidos pela polícia junto à mina quando debatiam formas de reagir à tragédia.

As autoridades criaram a seguir um perímetro de segurança em torno das instalações localizadas cerca de 480 km a sudoeste de Istambul.

Na cidade com um pé na Europa e outro na Ásia, a notícia das detenções lançou uma nova jornada de confrontos. Os distúrbios em Istambul prolongaram-se noite fora.

Segundo um estudo do Colégio de Arquitetos e Engenheiros (TMMOB) da Turquia, realizado entre 2000 e 2008, a taxa de mortalidade nas minas privadas turcas é seis vezes superior à das minas públicas.

Na Turquia, por cada milhão de toneladas de carvão extraídas morrem 6,5 mineiros, um valor seis vezes superior ao registado na China e 200 vezes maior do que nos Estados Unidos. Uma taxa de mortalidade apenas comparável à verificada na América do Norte e em Inglaterra no início do século passado.