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Bósnios: "As inundações são piores do que a guerra"

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Bósnios: "As inundações são piores do que a guerra"

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Cerca de meia centena de mortos, mais um milhão e meio de pessoas afetadas e prejuízos incalculáveis.

O nível de destruição das cheias nos Balcãs já foi comparado à guerra da década de 90.

As maiores inundações dos últimos 120 anos reduziram a um monte de escombros o trabalho de uma vida e para muitos bósnios esta catástrofe é, ainda, pior que o conflito que eclodiu há cerca de duas décadas.

“Depois da guerra entre 1992 e 1995 encontrei a minha mobília que restaurei e voltei a usar como, por exemplo, o meu sofá e os meus armários. Mas agora não posso recuperar nada. Ficou tudo destruído, tudo perdido” afirma Hatidza Muhic, habitante de Maglac.

Na Bósnia, 100 mil pessoas foram obrigadas a abandonar as habitações. No entanto, para muitos o regresso a casa é, ainda, mais doloroso do que a partida.

“Em dois dias ficou tudo destruído. Conseguimos reconstruir depois da guerra. Dizem-nos para irmos embora, mas para onde? Já nos ofereceram alojamento em Dubrave, mas temos animais e não sabemos o que fazer com eles. São a nossa fonte de rendimento” acrescenta Nevenka Djuric, habitante de Tuzla.

As cheias estão, também, a atingir países como a Croácia e a Sérvia. Belgrado decretou três dias de luto nacional.

As inundações e os deslizamentos de terras reforçaram, no entanto, a solidariedade intercomunitária e uniram velhos inimigos de guerra.