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Suécia vai perdendo a imagem de tolerância com os imigrantes

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Suécia vai perdendo a imagem de tolerância com os imigrantes

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“Estamos em Rinkeby, um bairro de imigrantes no norte de Estocolmo, capital da Suécia. Um país que é um exemplo para o resto da Europa no que toca ao acolhimento e integração dos imigrantes. No entanto, em 2010, um partido de extrema-direita integrou pela primeira vez o Parlamento e os ataques racistas começaram a multiplicar-se”, explica a enviada especial da euronews, Efi Kotsoukosta.

Os imigrantes e seus descendentes já nascidos na Suécia representam 15% da população deste que é um dos países mais ricos e desenvolvidos do mundo.

Mas as desigualdades sociais estão a aumentar e com elas a tensão e episódios como o que sofreu um jovem queniano, há seis anos no país.

“Um dia, estava com um amigo e algumas pessoas vieram ter connosco e perguntaram: “o que é que estás a fazer aqui?” Algo assim. “Este não é o teu país, o que é que estás cá a fazer?”. Depois o meu amigo foi comprar um hambúrguer e de repente uma rapariga começou a atacá-lo. Pensei que tinha de ir defendê-lo, mas chegaram entretanto umas sete pessoas que o atacaram, que o espancaram.”

“Eles odeiam os muçulmanos. Não odeiam todos os estrangeiros, mas sim os muçulmanos. Se todos os estrangeiros que cá vivem parassem de trabalhar durante dois ou três dias, então iam perceber o que aconteceria ao seu país”, diz outro imigrante.

Sinal do mal-estar crescente foram os dias de violência nos subúrbios da capital, e na cidade de Malmo, no ano passado.

Apesar da taxa de desemprego na Suécia ser de 8%, é pelo menos o dobro entre os imigrantes.

A professor e ativista Edda Manga explica que “enfrentamos hoje problemas que não existiam, tais como muitas pessoas excluídas do sistema de segurança social, muitos sem-abrigo. Os ultranacionalistas e populistas dizem que é algo relacionado com a imigração”.

“É uma ideia simplista, que muitas pessoas usam como explicação. Obviamente constitui também uma solução fácil, como se bastasse livrarem-se dos imigrantes para tudo ser com antes”, acrescenta Edda Manga.

Ibrahim, ator de 31 anos, já nasceu na Suécia, mas a família tem origem na Gâmbia. Apesar de falar perfeitamente a língua e partilhar todos os códigos culturais do país, sente a discriminação na pele em cada dia que passa.

“Falo como um sueco, mas não pareço sueco. Esse é o problema. Tenho sempre que trabalhar dez vezes mais do que os outros porque sou negro. Como ator dão-me sempre papéis de gente perigosa, tais como traficante de droga ou ladrão. Eu gostava de representar um agente da polícia!”.

A Suécia continua a receber muitos imigrantes e refugiados, nomeadamente da Síria. Mas as sondagens revelam que o partido nacionalista poderá duplicar o número de deputados nas legislativas de setembro.