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O bailado do "Exército Vermelho" de hóquei

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O bailado do "Exército Vermelho" de hóquei

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“Exército Vermelho”, o documentário de Gabe Polsky, que retrata as experiências da seleção nacional de hóquei da antiga URSS, traz a Cannes, ainda que fora de competição, reflexos das mudanças sociais e culturais no bloco soviético.

Para o realizador, antigo jogador de hóquei, nascido nos Estados Unidos mas filho de pais ucranianos, o hóquei desta seleção assemelhava-se a um bailado:

“Prefiro este estilo de jogo, acho que leva o desporto e o hóquei a outro nível, foi isso que despertou o meu interesse pela União Soviética, pelas minhas raízes. Pretendi explorar, através do hóquei, o como e o porquê de eles serem tão bons e o que se passou naquele momento.”

O capitão da equipa, Slavia Fetisov, que foi Ministro do Desporto de Putin, e é Senador do Conselho da Federação Russa, é o herói desta película que dividiu os críticos da sétima arte.

Um filme sobre a equipa do Exército vermelho, financiada e gerida pelo exército soviético, cujos jogadores eram considerados, segundo o cineasta, como os heróis do proletariado.

Fetisov, que participa no documentário, estava relutante em fazê-lo:

“Gabe Polsky é muito talentoso, ele quis que eu entrasse no filme desde o início. Por alguma razão eu não queria. Mas, quinze minutos depois de estar com ele, pelo menos foi o que ele disse, já estava em frente à câmara, estive durante seis horas a contar as histórias da equipa, o hóquei, a situação política, a vida e outras coisas. Chamaram-nos sempre de “Máquinas vermelhas” mas, em primeiro lugar, somos seres humanos.”

Nos anos 70 e 80, este símbolo lendário da URSS, foi uma ferramenta de propaganda de grande importância para o regime comunista.