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Ucrânia: Porta democrática do futuro do país abre-se domingo

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Ucrânia: Porta democrática do futuro do país abre-se domingo

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A poucos dias do primeiro grande passo democrático rumo a um novo país, os ucranianos olham com esperança para o futuro da Ucrânia. Três meses após o derrube do antigo presidente Viktor Ianukovich, as urnas vão abrir-se este domingo para que o povo eleja um novo timoneiro para uma nação que se tem afundado nas últimas semanas em divisões e vivido à beira de uma guerra civil, entre referendos separatistas, operações militares e interferências externas.

O país necessita de reformas em muitos e diversos setores, anseia por transparência e por maior atenção sobre as necessidades do povo. Na educação, por exemplo, onde se formam os governantes do futuro desta antiga república soviética, um professor ganha entre os 60 (no início de carreira) e os 250 (com anos de experiência) euros por mês. Aprenderam a viver com pouco, mas sonham com mais e sentem que o país tem andado a perder tempo. Não há espaço de manobra.

Olha Zorenko é professora de geografia numa escola pública a cerca de 50 quilómetros de Kiev. À euronews, assume que o futuro social e político da Ucrânia é tema recorrente na escola e considera que “os professores têm de reprimir os desejos mais materiais”, mas que tudo tem de ter um limite. “Estamos prontos a fazer sacrifícios, mas não para sempre. O futuro podia ser melhor, mas podemos não voltar a ter outra hipótese”, avisa.

Nas ruas de Kiev, algumas pessoas organizam-se em grupos independentes do atual governo interino e “desenham” projetos de reformas que entendem ser necessários, se não mesmo essenciais, para o futuro da Ucrânia. Contam disponibilizar estes projetos ao novo líder do país, que será escolhido democraticamente no domingo.

Natalya Sokolenko é uma dessas pessoas. Para ela, “as linhas mestras” dessas reformas “são a anticorrupção, a reforma judicial, a descentralização e a reforma fiscal” – “essas, por assim dizer, são as nossas dores de cabeça”, acrescenta. “Estes são, de facto, os problemas que levaram as pessoas a revoltarem-se. Tanto na ‘Maidan’, em Kiev, como no leste da Ucrânia. O povo estava farto da corrupção nos tribunais, da insegurança nas ruas e a polícia já não dava conta do recado”, recorda esta jornalista e agora também ativista por uma melhor e mais transparente Ucrânia.

A Ucrânia decide o futuro no domingo. Entre mais de 20 candidatos à cadeira que foi até fevereiro de viktor Ianukovich, Petro Poroshenko e Iulia Timoshenko são, para já, os favoritos. A Rússia tem sido um jogador ativo, mas dissimulado no tabuleiro da Ucrânia. Pressionada pelo ocidente, tem dado mostras de algum recuo na pressão colocada sobre o vizinho desde que o “amigo” Ianukovich foi derrubado do poder, mas ainda não dá mostras de vir a reconhecer estas eleições com a mesma facilidade com que reconheceu os referendos separatistas realizados em algumas regiões ucranianas. A decisão, contudo, não reside na Praça Vermelha de moscovo, mas sim em cada um dos ucranianos. Este domingo é escolhido o novo Presidente da Ucrânia.