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Eleições Egito: Candidato da Esquerda rejeita Irmandade Muçulmana

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Eleições Egito: Candidato da Esquerda rejeita Irmandade Muçulmana

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Nos próximos dias 26 e 27, o Egito vai escolher um novo presidente. Onze meses após a destituição do islamista Mohamed Morsi, o grande favorito é precisamente o homem responsável por esse afastamento: o antigo comandante do exército, Abdel Fattah al-Sissi.

O implacável combate que iniciou contra a Irmandade Muçulmana faz com que os seus apoiantes lhe reconheçam a força necessária para restabelecer a segurança e relançar a economia.

Confiante na vitória, este marechal na reforma não encetou propriamente uma campanha eleitoral. Raramente aparece em público. Al-Sissi recusou também dar uma entrevista à euronews.

Há um único adversário a fazer-lhe frente – o líder da esquerda egípcia, Hamdeen Sabahi. Opositor incansável, assume-se como o herdeiro político de Nasser. Tornou-se conhecido na sequência das eleições presidenciais de 2012, tendo alcançado a terceira posição. Desta vez, Sabahi espera dar a volta aos prognósticos e aceitou falar com o nosso correspondente no Cairo, Mohammed Shaikhibrahim.

Mohammed Shaikhibrahim, euronews:
“O que é que pode fazer pelo povo egípcio que os anteriores presidentes não conseguiram fazer?”

Hamdeen Sabahi, candidato presidencial:
“Pretendo alcançar aquilo que o povo egípcio tem pedido durante as revoluções. Um Estado bem-sucedido é a maior prova de uma revolução bem-sucedida. Vou lutar pela justiça social, por restabelecer os direitos da maioria das pessoas na distribuição da riqueza, criando um Estado democrático que consegue proteger as liberdades e evitar as discriminações. Mais, pretende abrir a porta a um Estado de direito, com igualdade de oportunidades e independência das decisões tomadas a nível nacional.”

Mohammed Shaikhibrahim, euronews:
“Se vencer, como é que vai lidar com a Irmandade Muçulmana?”

Hamdeen Sabahi, candidato presidencial:
“A Irmandade Muçulmana não vai regressar enquanto partido, porque a Constituição proíbe os partidos religiosos. No entanto, isto só diz respeito à Irmandade Muçulmana enquanto organização, não aos indivíduos em si. Tenho bem presente a necessidade de não permitir a discriminação motivada pelo posicionamento político, desde que ele seja defendido de forma pacífica. Vamos enfrentar a questão da violência, aqueles que apelam a atos violentos, e não aceitaremos qualquer violação das liberdades e do direito dos egípcios a exprimirem pacificamente as suas opiniões.”

Mohammed Shaikhibrahim, euronews:
“Os meios de comunicação egípcios e as agências estatais são neutros?”

Hamdeen Sabahi, candidato presidencial:
“Tirando a televisão do Estado, não vejo igualdade de oportunidades nos meios privados.”

Mohammed Shaikhibrahim, euronews:
“Porquê?”

Hamdeen Sabahi, candidato presidencial:
“Aqueles que detêm os media privados defendem os seus próprios interesses. O Estado egípcio tem influência nestas eleições, isso é notório diariamente. No entanto, eu aceito a equação de haver eleições sob a influência do Estado, favorecendo um candidato, mas aquilo que peço é que não haja fraudes. Se houver, vamos enfrentá-las.”