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Presidenciais na Ucrânia

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Presidenciais na Ucrânia

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A Ucrânia realiza este domingo eleições antecipadas, convocadas depois da queda do regime de Víktor Ianukovich, com o país imerso num grave conflito armado entre as forças do governo provisório de Kiev e a insurgência pró-russa do sudeste do país.
Apesar de haver tantos candidatos como a quase totalidade do baralho de cartas, a verdade é que os principais são o multimilionário Petró Poroshenko, a ex-primeira ministra Iulia Timoshenko, ambos alinhados com a integração europeia da Ucrânia, e o banqueiro Serguéi Tiguipko.
Petró Poroshenko desmarcou-se dos outros oligarcas ucranianos apoiando os protestos na praça Maidan e dedicou as emissões do seu canal de televisão à cobertura do movimento.
Apesar de ter sido ministro da Economia e dos Negócios Estrangeiros, o seu rosto só começou a ser conhecido quando apareceu ao lado dos líderes de Maidan. Era apenas conhecido como Rei do Chocolate, por causa do seu império de doces e bombons, mas rapidamente se tornou o favorito nas sondagens, ao ponto de ter pedido a Timoshenko para se retirar da corrida eleitoral em prol do povo ucraniano…
A heroína da Revolução Laranja de 2004 não o escutou. Os detratores acusam-na de querer rentabilizar os três anos que passou na prisão, por abuso de poder, o que não parece incomodá-la.
Muitos ucranianos continuam a associar a ex-primeira-ministra aos vícios do sistema político, contra os quais se lutou em Maidan. Apesar do discurso que fez na mesma praça, no dia em que saiu da prisão, e do poder acumulado pelos íntimos do seu círculo de amigos (o presidente interino, Alexandr Turchínov, e o ex-primeiro ministro, Arseni Iatseniuk), Timoshenko não consegue grande destaque nas sondagens.
O terceiro vértice do triângulo é Serguéi Tiguipko, antigo assessor eleitoral de Ianukovich, ex-chefe do Banco Central da Ucrania e militante do Partido das Regiões do deposto presidente, mesmo não sendo o candidato oficial.
Ao contrário dos outros candidatos de peso, pediu às autoridades ucranianas para porem fim à operação militar lançada contra os insurgentes, que já custou dezenas de baixas de ambas as partes.
Com Mijail Dobkin, o benjamim do Partido das Regiões, Tiguipko, que se apresenta às presidenciais pela terceira vez, assumiu o papel de candidato dos russófonos, nomeadamente de Donetsk e Lugansk, que declararam a independência e boicotaram a consulta eleitoral deste domingo.