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Polónia: Morreu Wojciech Jaruzelski

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Polónia: Morreu Wojciech Jaruzelski

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O último presidente da Polónia comunista, Wojciech Jaruzelski, morreu, este domingo, aos 90 anos. Jaruzelski estava internado, num hospital militar, depois de sofrido um acidente vascular cerebral, a 13 de maio.

Jaruzelski foi uma das principais figuras militares e políticas da Polónia. Foi presidente do país entre 1989 e 1990.

Treze de dezembro de 1981. O general Wojciech Jaruzelski apresenta-se ao mundo ao declarar a Lei Marcial na Polónia.

Num par de minutos, Jaruzelski gravou a sua marca na história do país – uma decisão que o seguiu durante décadas.

No início dos anos 80 o regime polaco foi desafiado pelo movimento dos trabalhadores, particularmente por um homem:o eletricista Lech Valesa, que tinha o recorde de 10 anos a organizar greves e a defender os interesses dos trabalhadores.

No verão de 1981 fundou o Solidariedade – o primeiro sindicato não comunista num país do Pacto de Varsóvia.

Na qualidade de chefe de Estado maior das forças armadas, Jaruzelski decide esmagar o Solidariedade. Ao abrigo da lei marcial proíbe esse e outros movimentos, os líderes são atirados para a prisão.

O exército toma controlo das ruas e dos principais setores económicos e sociais. Mais de uma dezena de pessoas são assassinadas.

Mas os anos oitenta também viram Mikhail Gorbachov a mudar a União Soviética com as suas ideias de Glasnost e Perestroika. No fim, foram os soviéticos que impuseram ao governo militar polaco uma negociação com o Solidariedade.

O Sindicato voltou a ser legalizado e organizaram-se eleições livres. Como resultado, Jaruzelski teve que entregar o poder ao seu rival Valesa.

No período pós-comunista, Valesa tornou-se num historiador dele mesmo: escreveu livros, discursava e falava aos “media” para explicar porque teve de instaurar a lei marcial. Para ele, foi um mal menor, senão os soviéticos teriam invadido a polónia quando desafiou o regime comunista. Mas ele também enfrentou acusações judiciais pela decisão. Mais ainda, foi acusado de ter ordenado aos militares para dispararem contra manifestantes em 1970 quando era ministro da defesa. Mais de 40 pessoas morreram em manifestações naquele ano.