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Juncker e Schulz condenados ao compromisso

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Juncker e Schulz condenados ao compromisso

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O luxemburguês Jean-Claude Juncker está na corrida para a presidência da Comissão Europeia e em princípio tem o vento a seu favor, enquanto líder do Partido Popular Europeu, o mais votado nas recentes eleições para o Parlamento.

Juncker deixou clara esta reivindicação, nas suas primeiras declarações sobre os resultados do escrutínio de 25 de maio:
“Ganhámos as eleições e sinto-me inteiramente legitimado para assumir a presidência da Comissão Europeia.”

Face às reservas colocadas à sua candidatura, nomeadamente por Londres e Budapeste, Juncker evocou os resultados das urnas para dizer que não deve nada a ninguém:
“Não estou de joelhos, vencemos estas eleições”.

O líder do Partido Popular Europeu deu um lugar priveligiado à Alemanha na campanha eleitoral.
Durante a sua visita ao ex-chanceler Helmut Kohl, louvou o envolvimento deste no projeto europeu. Tendo em conta os eleitores do CDU e os seus líderes, Juncker reiterou que não haverá eurobonds, caso venha a presidir a Comissão Europeia.

Foi porém com o rosto de Angela Merkel que O CDU fez campanha nestas europeias.
Apesar do cuidado com que Juncker evoca a chanceler, este permanece um terreno escorregadio para o luxemburguês.

Isto, enquanto a própria Merkel contribui para semear a dúvida sobre o seu apoio ao líder dos populares europeus. As suas mais recentes declarações não tranquilizam Jean-Claude Junker:
“Estamos, claro, com o candidato Jean-Claude Juncker neste debate. Tem sido consistentemente dito a questão decisiva é qual dos dois partidos é mais forte. Ao mesmo tempo sabemos que nenhum dos dois partidos está em condições, de determinar sozinho o novo presidente da Comissão Europeia. E é por isso que precisamos de discussões de fundo.”

Juncker contava com o assentimento do candidato socialista, mas Martin Schulz fez já questão de recordar que o seu grupo parlamentar conquistou apenas menos 23 assentos que os populares, nestas europeias.
“Uma coisa é clara : o Partido Popular Europeu perdeu seis lugares no parlamento. Outra coisa igualmente evidente é que, sem um acordo com o grupo Social-democrata no parlamento, nenhuma maioria será possível”, disse o chefe de fila dos socialistas.

Caso Juncker e Schulz não consigam estabelecer um compromisso, os Estados-membros serão tentados a impor ao Parlamento Europeu um candidato alternativo.