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Brasil: A Copa da indignação

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Brasil: A Copa da indignação

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Estamos a 16 dias do início do Campeonato Mundial de Futebol, no Brasile nas ruas do país o descontentamento mantém-se.

Na terça-feira, em Brasília, o famoso cacique Raoni Metuktire , acérrimo defensor dos direitos indígenas e da preservação da selva Amazónica, liderou uma marcha de protesto de índios e membros do movimento dos Sem Terra. Os manifestantes acabaram por ser dispersos pela polícia de choque.

A duas semanas do início do campeonato, é a miséria que faz notícia e não a Copa. Nas paredes, os grafites falam do estado de espírito e da revolta da população. As pessoas insurgem-se contra todo o dinheiro que é gasto na festa do futebol, quando não há dinheiro para melhorar a vida dos brasileiros.

Ouvidos na rua, os brasileiros manifestam a sua indignação contra o despesismo, como um deles disse: “Penso que a Copa do Mundo deveria ter sido deixada para outra altura, quando o país estivesse em condições de o suportar. Acho errado que eles estejam a gastar milhares de milhões de euros com a Copa do Mundo.”

Depois de uma década de crescimento económico, o Brasil tem hoje uma economia marcada pelo baixo crescimento e alta inflação, com o investimento em queda e a criminalidade a aumentar. Os brasileiros querem mais investimento na saúde e na educação.

Foi o que sublinho uma mulher que também saíu à rua nestes protestos: “Não temos serviços de saúde na região. Não temos sequer uma cirurgia de base ou um hospital. Que é isto? Eles não escolhem empregar o dinheiro na educação e na saúde, mas nestas construções que só vieram piorar os nossos problemas de habitação.”

O montante do investimento brasileiro na organização do Campeonato Mundial de Futebol vai ultrapassar os 11 mil milhões de euros, uma soma que a população considera astronómica.

Quando a candidatura do Brasil foi selecionada, em 2007, 80 por cento dos brasileiros mostraram-se satisfeitos, mas sete anos depois a situação inverteu-se. Hoje, mais de metade dos brasileiros considera que o campeonato vai trazer mais malefícios do que benefícios à economia do país.

De acordo com as últimas estatísticas, espera-se que 600 mil turistas visitem o Brasil durante a competição, injetando na economia cerca de 1,4 mil milhões de euros. Espera-se que cerca de 3 milhões de brasileiros gastem, durante o evento desportivo, cerca de 4,3 mil milhões.

Exemplos semelhantes no passado mostram, porém, que as previsões tendem a ser demasiado otimistas. Foi assim com o Campeonato Mundial da África do Sul, em 2010.
Os brasileiros amam o futebol e veneram a seleção nacional mas os futebolistas brasileiros estão atualmente sob fortes protestos principalmente depois de declarações de alguns veteranos como Pelé ou Ronaldo.