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União Euro-Asiática: A economia fala mais alto

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União Euro-Asiática: A economia fala mais alto

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O que a política soviética separou, os interesses económicos voltam a reunir. Cazaquistão e Bielorrússia juntam-se de novo à Rússia para criar um bloco económico, já unido por laços aduaneiros desde 2010.

Há ex-repúblicas soviéticas interessadas, como Arménia e Quirguistão, mas o Kremlin sofreu um revés. A queda de Viktor Ianukovitch afastou a Ucrânia do projeto.

Os três países vão coordenar políticas, mas nem todas.

O presidente cazaque, Nursultan Nazarbayev, destaca: “É uma união económica e não vamos tocar questões de independência e soberania política dos Estados que participam no processo de integração”.

O presidente russo, Vladimir Putin, acrescenta: “Os benefícios mútuos do processo de integração já se podem ver na prática. A cooperação económica da Rússia, Bielorrússia e Cazaquistão está a aprofundar-se, as trocas comerciais a desenvolverem-se, a proporção de bens de alta tecnologia a expandir-se e a competitividade dos nossos países a fortalecer-se”.

A União Euro-Asiática vai aglutinar 170 milhões de cidadãos e representa um PIB de 1,7 biliões de euros. Putin deseja que rivalize, por exemplo, com a União Europeia, quando esta conta com 505 milhões de habitantes e a economia vale 13 biliões de euros.

A União Euro-asiática controla 20% das reservas mundiais de gás e 15% das de petróleo. Para já não haverá uma política energética nem moeda comuns.

Os três líderes fixam uma década para chegar a um entendimento em questões energéticas e, superar assim, as rivalidades entre Rússia e Cazaquistão.

A partir de janeiro, haverá livre circulação de bens, capitais, serviços e pessoas. Alguns analistas recordam que para algumas empresas dos três países as ligações da era soviética são a única hipótese para sair agora das fronteiras nacionais.

O bloco engloba três quartos da antiga União Soviética, mas Vladimir Putin repete que não pretende restaurar o regime desmantelado em 1991. O certo é que o Báltico já se virou para a Europa e a Ucrânia e Geórgia estão de olhos postos no Ocidente.