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The Network debate as consequências dos resultados das europeias

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The Network debate as consequências dos resultados das europeias

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No Parlamento Europeu, a batalha eleitoral dá agora lugar ao combate pela liderança. Quem vai chefiar o Parlamento Europeu e a Comissão Europeia?

Os partidos populistas e extremistas arrebataram um quarto dos assentos parlamentares, forçando o centro-esquerda e o centro-direita a pensar numa coligação. Que forma irá esta aliança dar à nova liderança e às políticas europeias sobre o desemprego e a imigração, e de prevenção de uma nova crise financeira?

E na batalha pela chefia da Comissão Europeia, teremos um confronto aberto entre o Parlamento Europeu e os líderes europeus, no Conselho Europeu? Qual será o papel dos populistas?

Estas são as questões colocadas à discussão nesta edição do The Network, no Parlamento Europeu em Bruxelas, que contou com três convidados: Paulo Rangel, eurodeputado português e vice-presidente do grupo do Partido Popular Europeu (EPP), Kathleen Van Brempt, membro belga do grupo dos Socialistas e Democratas (S&D), e Gerolf Annemans, um novo eurodeputado e e presidente do partido belga Vlaams Belang, considerado uma das formações de extrema direita no Parlamento Europeu.

Com os pequenos partidos de extrema-esquerda e extrema-direita a dominar agora cerca de um quarto do Parlamento Europeu, existe o receio de que estejamos a caminhar para uma paralisia desta instituição. Paulo Rangel considera, porém, que esta ameaça está fora de questão, defendendo que esta nova configuração exigirá mais compromisso entre os partidos do centro, na grande coligação – os verdes, liberais, populares, os Socialistas e Democratas e os Conservadores e Reformistas do ECR.

Segundo Kathleen Van Brempt, a extrema-esquerda é menos eurocéptica que a extrema-direita e há que procurar um bom compromisso quanto ao caminho a escolher para avançar com o projeto europeu, pois “os cidadãos querem que apontemos soluções e não divisões”. A eurodeputada belga defendeu ainda que devem ser procurados compromissos entre diferentes objetivos, investindo na União Europeia e no futuro das suas populações.

Admitindo que se acontecer uma crise do sistema, não será contra, pois é adversário do “sistema federalista”, Gerolf Annemans sublinhou que não é um extremista nem um racista.

A ideia de compromisso pode esconder uma diluição das políticas em questões como o combate ao desemprego, ou a imigração. Mas Paulo Rangel evocou as experiências da Bélgica, Holanda, Áustria, Alemanha, Dinamarca e Itália para dizer que a cooperação entre os partidos é possível.

Salientando que o objetivo da sua formação política é devolver o poder aos Estados-membros, Annemans sublinhou que “Não estamos a destruir nada, mas deveríamos desenhar a Europa de outro modo, no sentido de dar mais poder aos Estados membros, e neste sentido, a presidência da Comissão não é para nós uma prioridade.

A presença no Parlamento Europeu de vozes contrárias ao federalismo europeu não é, para Paulo Rangel, um problema, pois “o problema são as políticas contra a imigração, é a xenofobia e o racismo” e o facto de haver vozes contra uma maior integração “serve o debate democrático”.

Quanto à presidência da Comissão Europeia, Annemans não a considerou uma prioridade e Rangel frisou que o deve ser Jean-Claude Juncker. A eventualidade de os chefes de Estado não estarem de acordo levanta a questão sobre um candidato de compromisso, que poderia ser Christine Lagarde ou a primeira-ministra diinamarquesa Helle Thorning-Schmidt, mas nenhum dos convidados se declarou pronto a discutir o assunto nesta etapa. Para Gerolf Annemans, “a Comissão é o secretariado do Conselho e não deveria ser mais que isso, por isso não deveríamos dar um papel político à Comissão Europeia”.

Quanto à perspetiva de estar ameaçado o sistema de Schengen, Paulo Rangel disse não ser provável que assim aconteça.

Kathleen Van Brempt defendeu que o problema não é Schengen, mas o dumping social e que e esse o problema a resolver. Isto, enquanto Gerolf Annemans deixou claro que os últimos cinco anos provaram o falhanço do conceito de Schengen, que “tem de ser repensado”.