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O Egito entregue a Abdel Fattah al-Sisi

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O Egito entregue a Abdel Fattah al-Sisi

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Abdel Fattah al-Sisi – como os seus predecessores, o homem forte do Egito é um militar de alta patente, condecorado pelas urnas. Uma imagem autoritária mas que promete segurança, depois de três anos de instabilidade. O seu retrato está por todo o lado, no limite do culto à personalidade.

Abdel al-Sisi prestou juramento diante do presidente democraticamente eleito, Mohamed Mursi, em agosto de 2012, quando foi nomeado chefe das Forças Armadas e ministro da Defesa. Mohamed Mursi cometeu provavelmente o seu pior erro político, quando decidiu confiar neste militar.

Mursi viu-se muito rapidamente confrontado a um ultimato do general al-Sisi – este exigia-lhe que desse ouvidos aos protestos contra a Irmandade Muçulmana no poder.

No dia 3 de julho de 2013, a-Sisi derruba, com um golpe de Estado, o presidente Mursi e passa a controlar todos os poderes. Nos 11 meses seguintes, o exército leva a cabo ações de repressão sangrentas nas ruas, que fazem mil e quatrocentos mortos. Uma sentença condena à morte 528 membros da Irmandade Muçulmana e à prisão mais de 15 mil.

A governação com mão de ferrro reforça a popularidade de al-Sissi. Nascido há 59 anos neste bairro popular do Cairo onde nasceu também Gamal Abdul Nasser, filho de um marceneiro, al-Sasi entrou no exército e subiu rapidamente na hierarquia militar, como recorda este seu vizinho:
“Conhecemos al-Asissi como alguém que é ao mesmo tempo sério e disciplinado. É um homem do povo, a vida dele é de facto a de um homem que conhece o terreno, é um militar. Chefiava a região militar de Ashaqia e era também o chefe dos serviços de informação, é portanto normal que seja ele o presidente”, assegurou Mahmoud Al-Batal.

Solicitado pelos seus apoiantes a concorrer a eleições ganhas de avanço, al-Sisi troca o uniforme militar por fato e gravata e o seu olhar severo dá agora lugar a um sorriso algo esforçado.

Numa entrevista recente, elogiou a paciência do seu povo:
“Os egípcios são um povo muito paciente, um grande povo. E recordemos que a civilização tem sete mil anos. Sempre que haja esperança de melhorias, os egípcios conseguem ser pacientes”.

Para conseguir uma verdadeira democracia, os egípcios vão precisar de esperar entre 20 e 25 anos, segundo al-Sisi. Veremos se arranjam paciência para esperar pela recuperação de uma economia em plena deriva.