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Itália: Autarca de Veneza detido por esquema de corrupção milionário

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Itália: Autarca de Veneza detido por esquema de corrupção milionário

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Um escândalo de corrupção ditou que o presidente da Câmara de Veneza fosse colocado em prisão domiciliária. Membro do Partido Democrático do primeiro-ministro Matteo Renzi e autarca da cidade italiana dos canais desde 2010, Giorgio Orsoni é uma das mais de 30 pessoas detidas esta quarta-feira, em sequência de uma investigação aberta há cerca de três anos pela procuradoria de Veneza ao conhecido projeto Moses, que tem por objetivo proteger a cidade de eventuais inundações pela subida do nível do mar.

O autarca é suspeito de ter recebido vários milhares de euros de um dos consórcios envolvidos no megaprojeto orçado em cinco mil milhões de euros, cuja ideia começou a ser desenvolvida há mais de 30 anos e a construção arrancou em 2004. Tal como Orsoni, também Giancarlo Galan, o senador da Força Itália, o partido de Silvio Berlusconi, está entre os suspeitos neste processo de corrupção, desvio de fundos e branqueamento de capitais.

Galan está protegido por imunidade e a câmara baixa do parlamento italiano terá de decidir se levanta essa proteção ao antigo ministro dos governos de Berlusconi e também ex-governador entre 1995 e 2010 da região de Veneto, que integra Veneza.

Um porta-voz da autarquia de Veneza foi contactada por causa da detenção de Orsoni, mas recusou comentar o caso. O assessor direto do próprio presidente da Câmara, de acordo com a Reuters, nunca atendeu o telefonema, enquanto um porta-voz de Giancarlo Galan também negou prestar comentários.

No centro do esquema, que teria o paraíso fiscal de San Marino como escala do dinheiro, estaria Giorgio Baita, o antigo presidente executivo da construtora Mantovani, que foi detido no ano passado ao lado do engenheiro responsável pelo projeto, Giovanni Mazzacurati. Alguns dos indícios recolhidos apontam para que pelo menos 20 milhões de euros tenham sido desviados para financiar de forma ilegal partidos políticos italianos.

À margem deste processo, decorrem em Itália investigações por suspeitas de corrupção noutros megaprojetos como os da Feira Mundial EXPO 2015, que vai decorrer em Milão entre maio e outubro do próximo ano. Sete pessoas foram detidas em maio devido a contratos relativos à feira. As empresas italianas Finmeccanica e Saipem também estão debaixo do foco dos investigadores devido a vários contratos internacionais.

A Itália está posicionada em 69.°, ao lado do Kuwait e da Roménia, entre os 177 países incluídos no ranking da Transparência Internacional (Dinamarca e Nova Zelândia são os países mais transparentes, Portugal ocupa a 33.a posição). O primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, colocou a luta contra a corrupção como uma das prioridades do seu mandato.