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Russos reivindicam importância na vitória dos Aliados na II Guerra Mundial

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Russos reivindicam importância na vitória dos Aliados na II Guerra Mundial

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Os russos consideram ter arcado com as maiores perdas da II Guerra Mundial, afirma Dmitry Linnik, jornalista da Voz da Rússia: “27 milhões de pessoas morreram, metade eram russas e as outras eram das antigas repúblicas soviéticas”, acrescenta. “Literalmente, todas as famílias perderam um dos seus na guerra, coisa que no Ocidente é difícil compreender.”
Enquanto o Ocidente se prepara para comemorar o Dia D do desembarque na Normandia, o papel da Rússia na II Guerra Mundial – ou Grande Guerra patriótica, como se chama na Rússia – é subestimado, reivindica a rússia apesar de, tecnicamente, apenas ter assinado um pacto de não agressão.
Depois de se juntar aos Aliados, em 1941, a União Soviética fez recuar várias ofensivas alemãs no seu território, nomeadamente na batalha de Estalinegrado, uma das mais sangrentas da história da guerra. Nela foram infligidas duras perdas ao exército nazi. A batalha foi estrategicamente decisiva na guerra, pois as forças alemãs tiveram de deslocar soldados do ocidente para reforçar as posições no Leste. Habbo Koch , historidor alemão fala do início do fim:
“A derrota da Alemanha começou em Estalinegrado, o que se tornou evidente e visível no dia D e no mês seguinte. Não havia força militar defensiva para travar o progresso dos Aliados no terreno. A invasão da Normandia não era suficiente para terminar a Guerra, que, mesmo assim, ainda durou mais um ano.”
As comemorações do Desembarque vão ficar marcadas pelo primeiro encontro dos líderes ocidentais com Vladimir Putin, depois da anexação russa da Crimeia.
Os dirigentes mundiais esperam convencer Putin a aliviar a pressão sobre a Ucrânia, sob pena de agravamento de sanções, o que define a nova etapa de relações do Ocidente com a Rússia.
Agora que os acontecimentos recentes reavivaram a memória da Guerra Fria, os historiadores dizem que as tensões atuais não devem deixar cair no esquecimento o papel dos russos na libertação do jugo dos nazis. Pierre Defraigne, analyste politique, é da mesma opinião:
“Putin é quem detem agora a presidência do país… mas não podemos negar a contribuição da Rússia, do povo russo, para a vitória, só porque o presidente atual é abusivo e autoritário”.
No entanto, este presidente autoritário e abusivo, depois de uma década no poder, continua a ter uma popularidade, na Rússia, que muitos líderes ocidentais nunca atingiram: 83% de russos apoiam a presidência de Putin.