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Ataques racistas levam exilado na Grécia a pedir ajuda na Bélgica

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Ataques racistas levam exilado na Grécia a pedir ajuda na Bélgica

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“Quando vi as motos a vir na minha direção disse a mim próprio que estava tramado. A 200 metros de distância percebia que eram eles. O condutor da segunda moto viu que eu era africano e assobiou de imediato para os outros, que pararam junto a mim. Perguntaram-me: “O que é que estás a fazer na Grécia?” Disse apenas: “Eu?”, e eles começaram logo a gritar como é que ousava responder-lhes”, é o início do relato de Mamadou Ba, nacional da Guiné-Conacry, sobre como foi vítima de grupos racistas quando vivia na Grécia, onde recebeu asilo, em 2006, por ser perseguido politicamente no seu país.

“Começaram a rodear-me e desatei a correr. Entretanto, a outra mota estava mais abaixo na rua e quase sem me dar conta já estava em frente a ela. Um deles tinha uma barra de ferro e bateu-me na cabeça. Eu gritei “mãe”, fui a única palavra que consegui dizer. Lembro-me bem de dizer “mãe”. As pessoas passavam, mas ninguém me ajudou. Não houve uma única que me ajudasse. Quando recuperei totalmente a consciência pedi a um táxi para parar. A primeira coisa que me perguntou, apesar de eu estava coberto de sangue, era se tinha dinheiro. Respondi: “Sim, tenho dinheiro”, acrescentou o refugiado que foi vítima de membros do partido de extrema-direita “Aurora Dourada”.

“Não sei como é que eles conseguiram a minha morada, mas chegaram até à minha casa. Colaram um emblema na minha campainha que dizia “Aurora Dourada” e escreveram “Mamadou, voltaremos noutro dia. Topámos-te e vamos voltar”. O emblema tinha o símbolo da Aurora Dourada. Percebi que era demasiado perigoso e mudei logo de casa”, referiu à euronews.

O ativista pelos direitos dos imigrantes denunciou a situação na imprensa, já que não confiava noutras forças da sociedade grega para o proteger. Pelo contrário, foi maltratado pela polícia.

“Num controlo de rotina ao meu passaporte, a polícia disse-me “Ah, tu és o Mamadou Ba” e algemaram-me imediatamente. Levaram-me para a esquadra e fiquei lá quatro horas. Mandaram-me despir, tiraram fotografias e tudo isso. Depois perguntaram-me: “Vais voltar a falar com a imprensa?”, contou.

Após o assassinato do músico e ativista antirracismo grego Pavlos Fyssas por um membro do partido “Aurora Dourada”, tornou-se evidente para Mamadou Ba que era preciso encontrar refúgio noutro país europeu.

O exilado chegou à Bélgica há sete meses e o pedido foi aprovado há duas semanas. O seu advogado explica que as autoridades não são obrigadas a fundamentar as decisões positivas.

À euronews, Olivier Stein disse que “o acórdão belga não refere se considera que as autoridades da Grécia são incapazes de o proteger contra o “Aurora Dourada” ou se também devem ser consideradas cúmplices do “Aurora Dourada”.

Além da presença no Parlamento grego desde 2012, este partido de extrema-direita conseguiu, pela primeira vez, três lugares nas recentes eleições para o Parlamento Europeu.