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Caricaturistas: A Infantaria da Democracia

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Caricaturistas: A Infantaria da Democracia

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Utilizam o humor e a provocação como uma arma para defender a liberdade de expressão. São muitas vezes censurados, mesmo em países democráticos e em regimes autoritários, as suas críticas acutilantes podem custar-lhes a vida. Os caricaturistas são a infantaria da democracia. *‘Caricaturistes, Fantassins de la démocratie’ *é a primeira longa-metragem de Stéphanie Valloatto.

O documentário da realizadora francesa faz o retrato de 12 caricaturistas de países tão diferentes como a Rússia e os Estados Unidos, Israel e Palestina, a China, o Burkina Faso, a França ou a Costa do Marfim.

“A ideia foi mostrar o estado em que está a democracia e a liberdade de expressão à volta do mundo. Para tal, escolhemos caricaturistas de todos os continentes e selecionámos temas – economia, política, religião – para estabelecermos pontes entre eles”.

Kurt Westergard, o dinamarquês que publicou as polémicas caricaturas de Maomé faz uma aparição num documentário onde também se recordam alguns dos maiores escândalos das últimas décadas e se retrata a vida atribulada destes artistas militantes pela liberdade.

Ficamos a conhecer melhor Zlatkovsky, o russo que está proibido de publicar desde a época de Brejnev e que trabalha ilegalmente à noite como taxista para garantir o sustento.

Assistimos ao encontro de Boukhari e Kichka, um palestiniano e um israelita que trocam notas sobre os limites a que estão sujeitos nos seus desenhos.

Kichka considera que, em relação aos políticos, a caricatura não “é gozar com eles. É mais despi-los, mostrá-los a nu. Mostrar a verdade nua e crua tal como a vejo, como a apreendo, como a sinto e entendo. Porque num cartoon, afirmamos o nosso ponto de vista, a nossa opinião”.

‘Caricaturistes: Fantassins de la Democratie’ foi apresentado no Festival de Cannes e já está nas salas francesas.