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Pontos altos das celebrações do Dia-D

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Pontos altos das celebrações do Dia-D

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Há 70 anos que o amanhecer na Normandia não era tão emotivo: às 6:30, os veteranos das Forças Aliadas, que desembarcaram no Dia D na Normandia, inauguraram a estátua aos heróis e camaradas que abriram o longo caminho para o fim da II Guerra Mundial. Duraria ainda mais um ano. Num só dia, morreram 2500 americanos.

No Memorial da Guerra em Caen, o presidente francês, François Hollande, protagonizou uma homenagem sentida e especial aos 20 mil civis que morreram na Normandia e à população que ajudou a socorrer quem precisava.

O presidente Hollande salientou o esforço popular:

Quero insistir na solidariedade dos normandos nesta prova. Não houve um agricultor que não desse um abrigo a quem precisava, comerciante que não desimpedisse a porta e abrice a loja para fornecer o que lhe restasse, marceneiro que não abrice o atelier ou padre que não abrisse uma igreja para dar um abrigo que, muitas vezes se revelou uma maldição quando as granadas de obus a atingia.

A seguir, o presidente francês viajou de helicóptero para o cemitério americano, onde o presidente norte-americano o recebeu para, juntos, prestarem homenagem aos mais de 20 mil soldados mortos na Operação Overlord – nome de código da Batalha da Normandia.

No primeiro dia caíram 4.400 aliados e muitos milhares continuaram a morrer nos três meses seguintes. Só assim foi possível chegar a Paris e libertar a cidade do jugo nazi.

O presidente Obama agradeceu o esforço dos soldados:

“Por mais que o mundo pareça cínico, não podemos ter dúvidas de que a coragem e a bondade são possíveis, que os nomes de Wilson, Harry e Rock, que estão hoje aqui e para quem peço uma salva de palmas, não serão esquecidos, tal como os de todos os veteranos do Dia-D…por favor, levantem-se e reconheçam-no só mais uma vez.
Estes homens fizeram a guerra para que nós tivéssemos a paz, sacrificaram-se pela nossa liberdade, colocaram todas as suas esperanças num horizonte, num dia, em que não fosse preciso lutar.”

Os presidentes de França e dos Estados Unidos recolheram-se a seguir, na colina frente à Praia de Omaha, lembrando aqueles que pagaram com a vida.

Entretanto, em Bayeux, o primeiro-ministro francês, Manuel valls, agradecia ao homólogo britânico, David Cameron e ao Príncipe Carlos, com a mulher, Camila, a participação dos soldados da Royal British Legion e o seu sacrifício.

Bayeux foi a primeira cidade do continente a tornar-se livre. Foi a 50 Divisão Britânica que o conseguiu no dia 7 de junho, quase sem batalha.

Depois da cerimónia, os altos dignatários foram ao cemitério da Commonwealth, perto da Catedral de Bayeux.

Muitos veteranos (que ainda andam pelo seu pé, mas estão debilitados pela idade) foram levados, por escuteiros, em cadeiras de rodas para não se cansarem. Veteranos duros e alegres que foram ver a sua Rainha depositar uma coroa no memorial. Isabel II escolheu um casaco cor de esperança, de um verde bem aberto. O céu, limpo e solarengo, contrasta bastante com o que se recorda há 70 anos, que foi invernoso, frio e sangrento.