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Escócia a 100 dias do referendo

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Escócia a 100 dias do referendo

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A Escócia vive uma contagem decrescente, agora que está a 100 dias de um referendo crucial para o futuro do país. Quatro milhões de escoceses são chamados às urnas para escolherem se querem ver o país independente ou integrado no Reino Unido, como tem estado nos últimos 307 anos.

A 15 de outubro de 2012, os primeiros-ministros do Reino Unido e da Escócia, David Cameron e Alex Salmond, assinaram os acordos de Edimburgo, que autorizam os escoceses a referendar uma eventual independência.

Segundo uma sondagem divulgada pelo Financial Times, 48% dos eleitores querem que a Escócia permaneça sob as cores da Union Jack. 35% defendem a independência: “Estou dividido. 50-50. O meu coração bate pela Escócia, mas a minha cabeça diz para ficar no Reino Unido. Ainda não decidi”, diz um habitante de Edimburgo.

O “sim” multiplica os esforços para seduzir os muitos indecisos, na esperança de anular o atraso face à corrente anti-independência.

As questões económicas estão no centro de um debate cada vez mais apaixonado. Ambos os campos tentam convencer os eleitores de que é a prosperidade da Escócia que está em jogo.

Segundo os cálculos de Alex Salmond, em caso de vitória do “sim”, cada escocês poderia ganhar mais 1000 libras, pouco mais de 1200 euros, ao fim do ano e a economia teria um crescimento de cinco mil milhões de libras por ano: “Em 15 anos, podemos tornar a Escócia numa sociedade mais próspera. Temos muitos mais argumentos credíveis que os apresentados pelo Tesouro britânico, que já se provou serem falsos”, diz o primeiro-ministro escocês.

A estratégia económica repousa nas reservas petrolíferas do Mar do Norte, situadas nas águas territoriais escocesas, mas aproveitadas por Londres. Assenta também na reindustrialização e no desenvolvimento da economia e da energia verde.

Em Londres, tanto os conservadores (governo) como os trabalhistas (oposição) dizem que a Escócia será sempre mais rica e poderosa se se mantiver no Reino Unido: “Ao ficarmos juntos, o futuro da Escócia será mais seguro, teremos uma finança mais forte e progresso na sociedade. No Reino Unido dividimos os recursos e partilhamos os riscos”, diz o vice-ministro britânico das Finanças, Danny Alexander.

Para convencer os escoceses a ficar, Londres transferiu novos poderes para a Escócia, que desde 1997 goza já de uma autonomia reforçada. Caso a independência vença, ameaçou já recusar aos escoceses a utilização da libra esterlina como moeda.