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Grécia: uma remodelação governamental sem renovação

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Grécia: uma remodelação governamental sem renovação

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O novo governo de coligação grego tomou posse, esta terça-feira, em Atenas, depois do resultado das eleições europeias ter precipitado uma profunda remodelação governamental.

Depois do partido de extrema-esquerda Syriza, fora da coligação, ter sido o grande vencedor do sufrágio, conservadores e socialistas apostaram na mudança em cargos chave do governo, como o ministério das Finanças.

Um posto ocupado agora pelo economista Gikas Hardouvelis, um tecnocrata apostado em prosseguir as polémicas reformas estruturais exigidas pela troika, mas contrário a novos cortes orçamentais ou ao aumento de impostos.

As mudanças no executivo abarcam ainda as pastas da Saúde, Educação, Administração Interna, Agricultura e Cultura.

O novo ministro da Saúde, Andreas Loverdos afirma, “a remodelação está concluída e agora é tempo de pôr mãos à obra pois o que interessa aos cidadãos não é o nome mas a eficiência dos novos ministros”.

A nova equipa vai acompanhar a última fase do plano de resgate, sob uma forte contestação popular, quando Bruxelas continua a exigir cortes na função pública a dois meses da entrega das últimas tranches do empréstimo da “troika”.

Durante o primeiro conselho de ministros do novo executivo, o primeiro-ministro Antonis Samaras lembrou que, “o desafio permanece o mesmo, tentar pôr fim à crise e ao plano de resgate, manter as reformas estruturais e, acima de tudo, acelerar o crescimento pois a retoma já começou”.

Uma mudança na continuidade que não parece convencer a maioria dos eleitores, cada vez mais distantes dos partidos tradicionais.

Uma habitante de Atenas afirma, “ eu não gosto nada desta remodelação. O novo governo é tão mau como o anterior. Estava à espera de algo melhor”.

O correspondente da euronews em Atenas lembra: “esta remodelação é a consequência direta do resultado das recentes eleições europeias em que os conservadores perderam bastante terreno face à extrema-esquerda e à extrema-direita. Trata-se de um novo executivo que enfrenta o mesmo desafio de cumprir as reformas acordadas com os credores do país”.