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"Hunger King": quando a arte alimenta os sem-abrigo de Budapeste

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"Hunger King": quando a arte alimenta os sem-abrigo de Budapeste

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Um artista finlandês decidiu cruzar a “fast-food” com a sopa dos pobres para alertar para os níveis de pobreza em Budapeste.

A instalação “Hunger King”, paródia a uma conhecida marca de hamburgeres abriu as portas na capital húngara com duas entradas, uma para ricos e outra para pobres.

Durante três semanas, o restaurante fictício propõe-se “tirar a barriga de misérias” aos sem-abrigo da cidade.

Na fila dos pobres, um homem aponta o dedo ao governo, “nós estamos na rua e o primeiro-ministro no parlamento. Esqueça não quero falar de política”.

Mas a instalação artística recorda, de bandeja, a polémica lei aprovada pelo governo húngaro que condena os sem-abrigo que pernoitem na rua a pesadas multas e mesmo à prisão.

Um dos “clientes” é menos prosaico, “eu venho aqui pelo dinheiro, mas também gosto muito da ideia”.

E o autor do projeto não hesita em chegar de limusine, pela entrada reservada aos mais ricos. Para Jani Leinonen o objetivo deste “fast-food” humanitário não é apenas político, mas antes de mais social.

“Eu não estou aqui para apontar o dedo à Hungria, penso que se trata de um problema global. Penso que a Hungria despreza este problema global neste preciso momento. Podia fazer o mesmo em Helisínquia ou em Paris mas ao mesmo tempo não teria os mesmos contornos do que aqui”, afirma Leinonen.

Ao balcão, uma empregada vestida a rigor entrega uma caixa a cada sem-abrigo.

Um “menu” especial composto de cerca de 11 euros, em dinheiro, o valor diário do salário mínimo na Hungria.

A correspondente da euronews em Budapeste lembra, “o que mais irrita o artista é que qualquer pessoa possa fazer fila à porta de uma loja de produtos de luxo, ao contrário dos sem-abrigo húngaros, que se arriscam a todo o momento a ser expulsos dos espaços públicos pela polícia”.