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Desafios da monarquia espanhola

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Desafios da monarquia espanhola

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Felipe VI está pronto para suceder ao pai e ser proclamado Rei de Espanha, tendo conhecimento dos enormes desafios que o esperam. O único filho varão, irmão de duas princesas, foi educado para reinar e preparou-se toda a vida para este momento.
“Permitam-me reiterar publicamente o meu compromisso e a minha convicção em dedicar todas as forças com esperança e entusiasmo, à emocionante tarefa de continuar a servir os espanhóis e a nossa querida Espanha”
Mas os escândalos, que afetaram alguns membros da Família Real são continuamente exaltados pelos republicanos, que pedem um referendo, e pelos catalães, que querem a independência. O novo rei terá de se esforçar para preservar a união do país
Letícia faz tudo para impôr um estilo moderno e aparentemente simples. O seu passado como jornalista e o percurso de 10 anos como mulher de um futuro rei e mãe de uma futura raínha, contribuiram para a popularidade do casal.
Mas Filipe VI herda a Coroa de uma Espanha em crise, com uma taxa recorde de desemprego e muitas pessoas descontentes.
Para isso contribuiram a princesa Cristina e o marido, Iñaki Urdangarin, envolveram-se num escândalo financeiro, que eclodiu em 2010, e ainda não está resolvido.
A monarquia juancarlista, que marcou a transição da ditadura para a democracia, foi muito popular pelo contexto que se vivia no século XX, da necessidade de união. As condições agora são outras: há muito regionalismo e a polulação está dividida quanto ao sistema político.
Para analisar as mudanças na monarquia espanhola e os desafios que esperam Filipe VI, apresentamos um duplex de Madrid, com o Professor de Ciência Política, Fernando Vallespín.
Mario Alfaro, euronews – No anúncio da abdicação, o Rei Juan Carlos disse decidido abrir caminho para uma nova geração. Acha que a sucessão vai alterar algo na sociedade espanhola?

Fernando Vallespín – Sim, acho que há uma mudança, não apenas simbólica, mas na realidade do contexto político. O rei Juan Carlos enfatizou duas ideias: a primeira é a estabilidade e a segunda é a renovação. Considero que é o que se pretende atualmente: construir um conjunto de reformas que provavelmente vão originar a alteração da própria Constituição. Em Espanha, apercebemo-nos de um certo esgotamento do modelo da democracia, da Constituição de 1978, que foi muito influenciado pelo início da democracia, e agora o país enfrenta outros desafios políticos de grande importância, e o primeiro e o mais essencial é a reorganização territorial do Estado

euronews – Vários setores da sociedade pedem um referendo sobre o sistema político do Estado, mas entre a abdicação de Juan Carlos I e a proclamação de Filipe VI, s’o passaram duas semanas. Será uma tentativa para evitar o debate entre monarquia e a república?

Fernando Vallespín – Creio que o debate está fora de questão pois seguimos as disposições previstas na Constituição. No Congresso espanhol, uma maioria superior a 80% respeitou essas medidas. Do ponto de vista institucional, a Constituição foi respeitada quanto à sucessão do rei Juan Carlos. Há muitos setores que não são monárquicos, há mesmo alguns que são republicanos e que querem pressionar a organização de um referendo.

euronews – Os escândalos recentes afetaram a popularidade da Família Real. Que deve fazer o novo rei para reconquistar a confiança dos espanhois?

Fernando Vallespín – Em Espanha, a crise económica provocou uma erosão enorme na confiança política e não apenas contra os políticos, mas contra as instituições, que devem ser renovadas.Tudo tem um impacto na Coroa , nomeadamente, a necessidade de mais transparência e proximidade do povo, além de uma Coroa submissa ao controlo orçamental de outras instituições como o Parlamento.
euronews – Como pode o novo monarca ajudar na reforma da Constituição, relativamente ao problema territorial?
Fernando Vallespín – Pode ajudar facilitar as negociações entre as diferentes forças políticas. Vamos dizer que podoia assumir um papel de mediador, que nos é hoje, mais do que nunca, necessário. Poderia ainda facilitar um acordo entre as diferentes forças políticas.