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Juan Carlos: Conquistas e quedas num reinado de quase 40 anos

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Juan Carlos: Conquistas e quedas num reinado de quase 40 anos

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Porque é que a Espanha continua a ser liderada por um rei? A resposta de Juan Carlos foi mudar a face de um país nas últimas quatro décadas, mantendo o leme durante a transição da ditadura rumo à democracia.

Dois dias após a morte de Franco, a 22 de novembro de 1975, Juan Carlos foi coroado. Tinha 37 anos. No primeiro discurso que proferiu no parlamento prometeu que seria o “rei de todos os espanhóis”. Nascido em Roma, onde a família procurou exílio, já tinha 10 anos quando foi viver para Espanha. Em 1954, principia a formação militar, conquistando o grau de Oficial. Oito anos mais tarde, casa com a princesa Sofia da Grécia. O casal viria a ter três filhos: Elena, Cristina e Felipe.

Em 1969, Franco decide que Juan Carlos lhe sucederia na chefia do Estado. Ao tornar-se monarca, rapidamente instaurou uma série de reformas democráticas: em 1977, o país elege o seu primeiro parlamento desde a guerra civil. Foi então desenhada a Constituição em vigor, mais tarde ratificada por referendo. A tentativa de golpe militar em 1981 acabou por reforçar a sua popularidade, ao desautorizar os oficiais pró-franquismo que invadiram o hemiciclo.

As décadas que se seguiram trouxeram a integração europeia, a prosperidade económica e um índice crescente de admiração. Mas a crise trouxe várias interrogações, entre elas o contraste do estilo de vida luxuoso da casa real com a austeridade que se começava a impor. A integridade territorial assumiu-se como outro grande desafio, sobretudo com o avanço considerável do movimento independentista da Catalunha. E depois chegou o “annus horribilis” de 2012: o genro Inãki Urdangarín, e posteriormente a infanta Cristina, foram constituídos arguidos num caso de corrupção. A seguir surgiu a imensa controvérsia em torno de um safari no Botswana e da fotografia de um elefante abatido. Juan Carlos sofreu um acidente durante a mesma viagem. À saída do hospital em Madrid, apresentaria um pedido de desculpas.

Os sucessivos escândalos num país dilacerado pela crise delapidaram a confiança na instituição monárquica. No dia 2 de junho, Juan Carlos anunciou que ia abdicar. Não foi, de todo, uma decisão repentina: desde o início do ano que estava a ser preparado o enquadramento legal da sucessão. Juan Carlos deixou ao filho, Felipe, a missão de conduzir a Espanha num novo capítulo da sua história.