Última hora

Última hora

Ucrânia: Leste não pode aceitar cessar-fogo porque não reconhece Poroshenko

Em leitura:

Ucrânia: Leste não pode aceitar cessar-fogo porque não reconhece Poroshenko

Tamanho do texto Aa Aa

Para perceber melhor que implicações e consequências pode ter, para o futuro político da Ucrânia, a oferta unilateral de cessar-fogo, de Petro Poroshenko, a jornalista da euronews, Lilia Rotoloni, esteve em duplex com o corresponde em Kiev, Sergio Cantone.

Lilia Rotoloni: Sergio, o novo presidente, Petro Poroshenko, está a revelar gradualmente o seu plano para tirar a Ucrânia da atual crise. O cessar-fogo unilateral no Leste do país – de que se fala hoje – é uma via possível, na tua opinião? De que forma os separatistas poderão acolher este plano?

Sergio Cantone: O cessar-fogo é uma necessidade, para o presidente Poroshenko. Uma necessidade para pôr em prática o seu plano político e começar a implementar as reformas que prometeu ao país.

O leste, neste momento – sobretudo as zonas controladas por separatistas ou por pró-russos – não parece disposto a aceitar o cessar-fogo oferecido por Poroshenko. E porquê? Porque não reconhece a autoridade de Poroshenko.

L. R.: A remodelação governamental, proposta por Poroshenko, é apenas o primeiro passo para uma legitimação completa do novo poder de Kiev. Os novos rostos terão a capacidade de gerar consensos em países como a Rússia?

S. C.: Antes de mais, pensemos no ministro dos Negócios Estrangeiros, no chefe da Diplomacia. O anterior, Andriy Deschytsia, não era muito bem visto em Moscovo, e pior ainda desde o incidente diplomático de sábado passado.

O novo é um embaixador. Era, e continua a ser, o embaixador ucraniano em Berlim, na Alemanha. Foi ele que conduziu as negociações com o embaixador russo na Ucrânia. Isto deve conferir uma certa legitimidade ao novo ministro do Negócios Estrangeiros face a Moscovo e aos russos.

L. R.: Poroshenko quer convocar eleições antecipadas mas, antes, tem de recolher o apoio do Parlamento para fazer votar uma nova lei eleitoral e as alterações constitucionais que permitirão uma maior descentralização para as regiões.

É um plano realista, tendo em conta que Poroshenko está bem longe de ter a maioria parlamentar?

S. C.: Para avançar para as próximas fases de reforma institucional ou de revisão constitucional, como a descentralização, é necessário um novo parlamento.

Sabe-se que um novo parlamento dará mais credibilidade a uma reforma que é muito delicada, neste momento, como se pode imaginar. Tanto mais que uma boa parte da crise ucraniana tem como causa a falta de descentralização, por um lado, e uma exigência excessiva de federalismo, por outra.