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As casas da estrela a amarela de Budapeste

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As casas da estrela a amarela de Budapeste

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Há setenta anos, na Hungria, a comunidade judaica era expulsa das suas casas. Estávamos no início do verão de 1944. Mais de 200 mil judeus foram forçados, a alojarem-se em bairros onde as condições eram miseráveis, as casas tinham uma estrela de David, amarela, e os seus ocupantes foram obrigados a usar o mesmo símbolo, na roupa, surgiram assim, em Budapeste, as chamadas casas da estrela amarela. O passo seguinte era a deportação. Muitos acabaram em campos de concentração. Quase metade dos judeus de Budapeste não voltou.

Hoje, mil e seiscentas, das duas mil casas da estrela amarela, ainda existem. Tamás Márton vivia numa dessas casas, quando era criança. Hoje tem 84 anos e vive no mesmo prédio. Não quis sair mas luta contra lembranças dramáticas: a morte da mãe num campo de concentração, 2 dias antes, do campo ser libertado:

“Nós não queríamos dizer à minha avó que a filha tinha morrido e, em 1945, não, um dia na primavera de 1946, durante o jantar, de repente, ela disse ao meu pai: “Quero dizer-lhe uma coisa: Case-se! Não pode viver com uma mulher morta!”, conta Tamás Márton.

Para não deixar esquecer, ou para dar a conhecer, 70 anos depois da tragédia, foi posto em prática um projeto de celebração. Com a ajuda de 200 voluntários, no dia 21 de junho, foram organizadas pequenas comemorações em 160 das 1600 casas:

“Passaram 70 anos desde esse capítulo trágico da história desta cidade, sobre o qual sabemos tão pouco, não conversávamos sobre as casas da estrela amarela. Este evento pode ajudar-nos a sentirmo-nos em casa, nesta cidade, porque não podemos sentir-nos, em casa, se não conhecemos o lugar onde vivemos”, explica István Rév, organizador do evento.