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Presidente do Egito recusa interferir na prisão de jornalistas estrangeiros

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Presidente do Egito recusa interferir na prisão de jornalistas estrangeiros

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O recém-eleito presidente do Egito recusa interferir no caso da prisão de três jornalistas da Al-Jazeera, condenados segunda.-feira por um tribunal do Cairo a penas entre 7 e 10 anos de prisão, por “apoio a uma organização terrorista” – no caso, a Irmandade Muçulmana.

Pressionado para interferir pela comunidade internacional – incluindo as Nações Unidas e de forma particular os Estados Unidos e a Austrália -, Abdel Fatah al-Sisi sublinhou a independência democrática da justiça. “Não vamos interferir nas decisões do tribunal. Se queremos ter boas instituições de Estado no Egito, temos de antes de mais de respeitar as decisões judiciais e não criticar essas instituições. Mesmo que outros não percebam as decisões tomadas”, afirmou o novo chefe de Estado egípcio, à margem de uma cerimónia militar.

Os três jornalistas da Al-Jazeera condenados são o australiano Peter Greste; um egípcio com passaporte canadiano, Mohamed Fadel Fahmy (chefe da delegação da estação árabe no Cairo), e um egípcio, Baher Mohamed. Camberra considera a condenação um ato político, com alguns observadores internacionais a consubstanciar esta alegação com o argumento de os três jornalistas estarem a ser vítimas colaterais de um conflito diplomático entre o Egito e o Catar, devido ao apoio do Emirado que detém a Al-Jazeera ao anterior presidente, o deposto e encarcerado Mohamed Morsi, e às críticas à ofensiva das autoridades egípcias contra a Irmandade Muçulmana.

O primeiro-ministro australiano, Tony Abbott, pede uma solução diplomática: “O que não queremos é entrar numa estéril diplomacia de megafone. Isso não vai ajudar de forma alguma o Peter Greste. Nem os dois colegas dele da Al-Jazeera. O que queremos é conversar calma, tranquila e racionalmente com o governo do Egito.”

Os três jornalistas da Al-Jazeera foram julgados num processo que envolve vinte pessoas, incluindo também dois britânicos ao serviço de uma cadeia televisiva holandesa. Foram todos condenados por alegadamente denegrir a imagem do Egito e difundir notícias falsas.