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Renzi prepara um mapa de Itália que leva ao coração da Europa

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Renzi prepara um mapa de Itália que leva ao coração da Europa

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A escassos dias de assumir a presidência da União Europeia, no dia 1 de julho, o primeiro-ministro italiano lançou um apelo: a Europa tem de mudar de rumo no que toca à austeridade, à imigração, às políticas contra o desemprego e concentrar-se na palavra “crescimento”. Olhemos para Itália, afirma Matteo Renzi, onde o governo prevê aplicar um ambicioso plano de reformas até 2017: “Após estes mil dias, este país apresentará o mesmo nível de mudanças atingido por outros, como a Alemanha a partir de 2003. Não avançamos para estas reformas porque alguém de fora nos pediu. Avançamos porque o temos de fazer.”

Segundo Renzi, a austeridade não pode por si garantir a estabilidade face ao desemprego e à estagnação económica. Por isso, defende não uma inversão das políticas orçamentais, mas uma flexibilidade na sua aplicação. “Tenho vontade de rir quando dizem que os que falam em crescimento pretendem violar o Tratado. Os que violam o Tratado são os que falam apenas em estabilidade. Se não reduzirmos o número de desempregados, se não criarmos condições para o crescimento, não haverá qualquer tipo de estabilidade”, considera.

Há também a urgência de lidar com a questão da imigração, uma realidade que a Itália conhece bem, com a tragédia de Lampedusa a encabeçar um fenómeno para o qual não há ainda respostas. De acordo com o chefe do executivo italiano, “uma Europa que esmiuça todos os detalhes sobre como pescar o atum ou o peixe-espada, mas quando o mar está cheio de cadáveres, prefere olhar para o outro lado… Uma Europa assim não é uma Europa civilizada.”

Renzi participou, em Paris, numa reunião de líderes de centro-esquerda, na qual ficou estabelecido o apoio a Jean-Claude Juncker. Mas para Renzi o lugar de presidente da Comissão Europeia tem de ser decidido em consonância com os outros lugares cimeiros da União: “Aqueles que consideram que o fosso democrático na Europa pode ser colmatado nomeando Juncker ou qualquer outro como o presidente da Comissão Europeia, só podem viver em Marte.”

É com este pragmatismo que Renzi pretende instalar um novo registo. Itália será o exemplo a dar à Europa: as reformas planeadas incluem uma nova lei eleitoral, cortes na despesa pública e a alteração do sistema fiscal. Para já, o que é realidade são as expetativas que Renzi criou.