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Iraque: ofensiva islamita "desperta" radicais xiitas

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Iraque: ofensiva islamita "desperta" radicais xiitas

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A ofensiva dos extremitas sunitas do Iraque reabre as feridas da guerra civil de 2006 num momento em que os combatentes se encontram a cerca de uma hora de distância de Bagdade.

Centenas de milhares de pessoas estão a abandonar a capital nos últimos dias para procurar refúgio em território curdo, sob proteção dos Peshmergas, como aqui nos arredores de Erbil.

“A situação neste momento é de segurança zero. Os combatentes sunitas atacaram Qaraqosh Al Hamdinya com rockets e a população teve que fugir. Não vimos nem um soldado iraquiano, nem cruzámos nenhum posto de controlo. Decidimos abandonar tudo e fugir, até o meu carro foi confiscado pelos rebeldes”, afirma um refugiado.

Desde o início do mês, a ofensiva sunita teria já provocado 1.100 mortos e mais de meio milhão de refugiados quando a ONU alerta para uma iminente crise humanitária e alimentar no país.

O exército iraquiano conseguiu ontem evitar que os combatentes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante controlassem uma base aérea em Balad, a 70km de Bagdade, tendo também repelido um ataque em Haditha, a oeste da capital.

O líder radical xiita Moqtada Al-Sadr, responsável do extinto “exército do Mahdi” ameaçou fazer “tremer a terra sob os pés” dos rebeldes, num momento em que as antigas milícias comunitárias se reorganizam para fazer frente à ofensiva, ao lado dos voluntários recrutados pelo exército.

Al-Sadr declarou igualmente opor-se a qualquer intervenção estrangeira, nomeadamente ao envio de uma centena de conselheiros militares norte-americanos para o país.

Em paralelo, o Irão teria enviado para o terreno drones de vigilância, assim como equipamento militar para garantir a segurança da população xiita, segundo avança o jornal norte-americano New York Times.

Teerão teria igualmente disponibilizado 20 conselheiros militares da Guarda Revolucionária para assistir o primeiro-ministro xiita Nuri Al-Maliki.

A situação aprofunda as fraturas entre as comunidades iraquianas, num momento em que as discussões para formação de um novo governo após as eleições vão ser retomadas no dia 1 de julho.

O primeiro-ministro Nuri al-Maliki considerou os apelos de vários tribos sunitas à criação de um governo provisório como uma “tentativa de golpe de Estado”, ao mesmo tempo que é pressionado pelos governos ocidentais a formar um executivo de união nacional.