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Cemitérios Nucleares

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Cemitérios Nucleares

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Fomos visitar um possível local para a eliminação do lixo mais mortífero mundo – os resíduos nucleares. O laboratório de alta segurança no leste de França é gerido pela ANDRA, um órgão do governo encarregue de encontrar formas de armazenar o material tóxico, para que fique seguro durante milhões de anos.

Alain, o diretor técnico da ANDRA, fez-nos numa visita pelo labirinto subterrâneo: “Este elevador vai-nos levar até 500 metros de profundidade. Lá em baixo, estão em andamento cerca de 50 experiências. Algumas estão instaladas e em funcionamento há vários dando informações… O objetivo é aprofundar o conhecimento sobre as futuras zonas de armazenamento. Também estamos a fazer testes de calor porque alguns contentores vão estar quentes e estamos a verificar se o calor transmitido para a argila não vai modificar as suas características.”

O projeto recebeu um novo impulso através de uma diretiva da UE exigindo que todos os Estados membros esclareçam as suas estratégias sobre como lidar com o lixo nuclear. A liderar a iniciativa estão a França, a Suécia e a Finlândia. Estão a ser investigados vários métodos de armazenamento em toda a Europa. França é a favor de enterrar os resíduos radioativos a 80 mil metros de profundidade numa espessa camada de argila, que não sofre alterações há 160 milhões de anos.

Mas à superfície nem tudo está tão calmo. Em Bure, os manifestantes mobilizam-se. O ativista François Mativet não acredita que o lixo possa ser mantido em segurança nos próximos milénios. E deixa a sua posição bem clara: “Dizemos que é mentira. E eles próprios sabem que é mentira. Eu falei com os mineiros. No momento em que se alterar a estrutura da rocha, ela cria áreas de fraqueza e a partir desse momento tudo se move. Não nos podemos esquecer que a terra está viva. Sabemos que existem falhas! Como é que um cientista íntegro pode reivindicar que a água nunca vai passar. É apenas uma mentira científica, é uma farsa!”

Outro país, outra solução. Nas vastas florestas da Finlândia existe uma abordagem diferente; enterrar os resíduos nas rochas. O projeto está situado numa central nuclear da Finlândia numa península remota. O local é refrigerado pela água do mar. Até à década de 90, a Finlândia exportou os resíduos nucleares para a Rússia. Mas não há uma proibição legal para os enviar além fronteiras. Cerca de um quinto das cavidadades para resíduos que foram construídas com um custo de 3 mil milhões de euros não podem ser utilizadas… Devido aos riscos relacionados com a água… Uma parte do sistema já serve como depósito de resíduos radioativos. Estão enterrados em silos de 33 metros de profundidade. O armazenamento de resíduos radioativos altamente perigosos está previsto começar em 2022.

Será o fim da era da energia nuclear? O rápido aumento das energias renováveis ​​está a encaminhar a Europa noutra direção, acelerando o fim das fontes de energia convencionais.

Esa Härmälä, Diretor Geral do Departamento de Energia do Ministério da Economia da Finlândia, explica a decisão pró-energia nuclear da Finlândia e do conceito do depósito de resíduos nucleares vai ser construído. A Euronews encontrou-o em Helsínquia, para ouvir a entrevista completa (idioma Inglês), por favor, siga este link.
Bonus interview: Esa Härmälä

Entrevista com a ativista anti-nuclear francesa Corinne Francois, que luta contra o depósito de resíduos nucleares planeado para Bure. A Euronews encontrou-a em Bar-le-Duc, para ouvir a entrevista completa ( língua francesa), siga este link.
Interview bonus : Corinne François, militante anti-nucléaire

Entrevista com o ativista anti-nuclear francês François Mativet, que luta contra o depósito de resíduos nucleares planeado para Bure. Para ouvir a entrevista completa (língua francesa), siga este link.
Interview bonus : François Mativet, militant anti-nucléaire

Segue-se link para ouvir a entrevista a Alain Rolland, Diretor Técnico da ANDRA / Bure, explicando as razões pelas quais França quer colocar o lixo nuclear num repositório subterrâneo profundo. Use este link (entrevista em francês).
Interview bonus : Alain Rolland, directeur technique de l’ANDRA