Última hora

Última hora

Encontros e desencontros dos britânicos com o resto da Europa

Em leitura:

Encontros e desencontros dos britânicos com o resto da Europa

Tamanho do texto Aa Aa

Desde os anos 60, os britânicos, paradoxalmente, sonhavam com as perspetivas comerciais que a Europa poderia proporcionar, mas chocaram com o veto do General De Gaulle, que os encarava como cavalo de Tróia dos americanos. Foi preciso esperar pela reforma do presidente francês que os aliados ajudaram a chegar ao poder, no pós-guerra, para, em 1972, assinarem o tratado de adesão e ser Estado membro efetivo a partir do primeiro de janeiro de 1973.
A espera foi longa demais e, pelo seu lado, Londres mostrou-se sempre reticente às vantagens da integração.
Proferiu o primeiro Não quanto ao sistema monetário europeu, posto em prática em 1979. O Reino Unido foi o único país a não entrar.
A libra entrou no sistema europeu apenas em 1990, com margens de flutuação de 6% e com um acordo especial para sair dois anos mais tarde, com uma forte desvalorização.
“O governo concluiu que era melhor para os britânicos suspendera adesão ao mecanismo do câmbio”.
Nos anos 80, o Reino Unido atravessou duas grandes crises industriais e políticas. Margareth Tatcher enfrentava a contestação dos mineiros e a guerra do IRA. É nessa altura que, chocada com o orçamento europeu, reclamou dois terços da contribuição britânica: “quero o meu dinheiro de volta”, repetia.
O Reino Unido apoiou-se, então, no facto do orçamento europeu estar consagrado, em grande parte, à Política Agrícola Comum (PAC) e beneficiar muito menos do que a França, por exemplo.
Margareth Thatcher, a 20 de setembro de 1988:
“Se conseguimos fazer recuar as nossas fronteiras de Estado, não foi para deixar que as imponham novamente a nível europeu, com um super Estado europeu a dominar em Bruxelas”.
Tatcher conseguiu um desconto que ficou célebre como “o cheque britânico”, mas a controvérsia continua presente. Durante anos, o Reino Unido recusou a moeda única, mesmo com Tony Blair. A City de Londres é um centro financeiro mundial e os ingleses acharam sempre que a adoção do euro limitaria a independência do Banco de Inglaterra.
No Tratado de Maastritch ficou consagrada a cláusula de exceção para, com a Dinamarca, usufruir do “opt-out”, para não adotar a moeda única.
Depois, a crise europeia de 2008, combinada com o regresso ao poder dos conservadores, dois anos mais tarde, enterrou de vez, a possibilidade de entrar na zona euro.