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Sarkozygate

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A vitória eleitoral de 2007 pode custar muito a Nicolas Sarkozy. Os problemas com a justiça começaram logo nessa campanha que o levou ao Eliseu. As suspeitas de tráfico de influências surgiram num inquérito sobre o financiamento líbio da campanha eleitoral.
Muammar Kaddafi visitou Paris, três meses depois da eleição de Sarkozy. Foi a primeira de várias visitas a países ocidentais, nomeadamente a Portugal, durante o governo de Sócrates.
Alguns dias antes dos ataques ocidentais contra a Líbia, em 2011, Kaddafi afirmou ter contribuido com fundos para a campanha do presidente francês.
Em Tripoli, o filho mais novo, Saïf Al-Islam Kadhafi, reafirmou o mesmo ao enviado especial da euronews:
“Em primeiro lugar, Sarkozy deve devolver o dinheiro que aceitou da Líbia para financiar a campanha eleitoral. Fomos nós que a financiámos e temos provas. Estamos prontos a revelar tudo, os detalhes, as contas bancárias e as transferências. Brevemente, fá-lo-emos.”
Não chegaram a fazê-lo, mas durante o inquérito a possibilidade do financiamento líbio ficou registada no telefonema entre Nicolas Sarkozy e o seu advogado Thierry Herzog , que desembocou numa informação judicial (no passado mês de fevereiro), por tráfico de influências e violação do segredo de instrução processual.
O ex-presidente é suspeito de tentar, através do advogado Herzog, obter informação sobre um procedimento legal de Gilbert Azibert, um alto magistrado, em troca de uma promessa de um posto de prestígio.
A página web da Mediapart publicou o conteúdo de escutas judiciais ao telefone que Sarkozy utilizava, com uma identidade emprestada por um colega de infância, Paul Bismuth, pois sabia que o telefone oficial estava sob escuta. Fabrice Arfi, jornalista da Mediapart, decifra a teia :
“ Desde que Nicolas Sarkozy deixou o Eliseu, colocou em marcha um verdadeiro gabinete no escuro – uma rede de informadores infiltrados no aparelho do Estado. Não apenas ele ou dois amigos, mas muitos, autorizados, por ele, a serem informados sobre as investigações que decorrem – não pelo prazer de ser informado, mas para impedir o normal curso da justiça.”
O escândalo eclodiu num momento altura em que se debate o regresso de Sarkozy à ribalta política, num momento em que Hollande está no mais baixo nível de popularidade.