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França: Ex-presidente Sarkozy constituído arguido por corrupção

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França: Ex-presidente Sarkozy constituído arguido por corrupção

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Jamais um ex-presidente francês tinha sido detido para interrogatório. Nicolas Sarkozy acabou por sair em liberdade depois de responder às autoridades durante mais de 15 horas, mas regressou a casa na condição de arguido por suspeita de corrupção ativa, tráfico de influências e violação do segredo de justiça. Sarkozy terá utilizado a sua influência para saber detalhes da investigação às irregularidades no financiamento da campanha em que o líder conservador acabou por ser eleito presidente, em 2007.

O primeiro-ministro francês garantiu entretanto que não se trata de um processo político contra Sarkozy e que “ninguém está acima da lei”. O socialista Manuel Valls – tal como o presidente François Hollande – recordou ainda que “a presunção de inocência é válida para toda a gente”.

A imputação de Sarkozy dominou naturalmente as primeiras páginas dos jornais franceses. “Sarkozy: A onda de choque”, titula o jornal conservador Figaro.

Nas ruas, os franceses estão divididos: Há quem acredite tratar-se de um processo político para “impedir Sarkozy de se apresentar em 2017” e que, se for esse o caso, considere a acusação “escandalosa”. Os críticos afirmam que “o senhor que ia revolucionar a França, que ia reformar para que não existissem mais injustiças” vê-se agora numa situação “vergonhosa para ele, para o seu partido e para os seus amigos”.

O advogado de Sarkozy e um magistrado também foram constituídos arguidos num processo que não podia ter surgido em pior altura: Sarkozy preparava a corrida à liderança da UMP, tendo em vista as presidenciais de 2017. Agora, arrisca até 10 anos de prisão se o caso for a julgamento.